Crítica: Sense8 (1ª Temporada)


Sempre gostei de séries que tenham mais de um protagonista, ou seja, vários personagens com personalidades e histórias de vida diferentes. Às vezes você está se cansando daquele cara, mas sabe que logo virá outro personagem que poderá mudar totalmente o ritmo e a perspectiva da história. Esse é um dos pontos fortes de Sense8, uma série original da Netflix que traz vários assuntos atualmente polêmicos.

Estamos vivendo em um mundo onde cada vez mais as pessoas procuram por igualdade e respeito, onde todos querem ser tratados igualmente, independente de cor, religião, classe ou orientação sexual. Sense8 aborda todos esses assuntos de uma forma muito bonita e natural, sem precisar ser algo forçado, como vemos em muitas novelas por aí. Normalmente, eu diria que se você, leitor, é uma pessoa preconceituosa, é melhor nem assistir. Mas, pensando bem, nesse caso, acho que vale à pena dar uma conferida. Quem sabe você pode mudar de opinião.

É uma série bastante difícil de conseguir fazer um resumo, mas mesmo assim vou tentar explicar um pouco da trama que é mostrada nessa primeira temporada. A história é contada através da perspectiva de oito personagens espalhados pelo mundo e que têm uma ligação telepática (não sei se esse é o termo correto a se usar, mas enfim), são pessoas que não se conhecem, mas ainda assim conseguem ver a imagem uns dos outros mentalmente como se tivessem lado a lado interagindo. E elas conseguem até mesmo usar as habilidades, sentir emoções e ter acesso a memórias. Pareceu complicado? No começo pode até ser um pouco, mas conforme a série vai seguindo, você vai se acostumando e entendendo melhor quem são eles e como essas habilidades funcionam.

Fora a história em si, que gostei muito, a série tem mais alguns pontos fortes como, por exemplo, a trilha sonora espetacular que possui uma incrível diversidade de gêneros musicais. Nela você pode encontrar Beethoven, Pantera, 4 Non Blondes, Avicii e The Who na mesma trilha sonora.

Outro ponto incrível são os cortes da edição. Por exemplo, às vezes, temos dois personagens interagindo e eles começam a conversar num café na Alemanha e a câmera vira e eles estão continuando a mesma conversa em um terraço na Índia e, de repente, voltam mais uma vez para a Alemanha. 

Visualmente a série também é muito bonita, usando muitos planos abertos e cenários incríveis. Bons diálogos com frases de efeito também marcam a série.

Vale lembrar que os oito protagonistas estão enfrentando momentos difíceis em suas vidas. Enfrentam problemas como o uso de drogas para tentar superar antigos traumas, o machismo de uma família conservadora, a pobreza extrema e necessidade de dinheiro para remédios, o preconceito sobre a orientação sexual e assim por diante.

Imagino que a intenção dos irmãos Wachowski (Trilogia Matrix, Destino de Júpiter, V de Vingança e Cloud Atlas) é de colocar esses temas para o pessoal discutir. E tenho que dizer que desde Matrix, esse é o melhor trabalho deles.
Tecnologia do Blogger.