Crítica: Lucifer (1ª Temporada)


Quem nunca ouviu aquela expressão “a vida não está fácil para ninguém”? E, realmente, parece que não está mesmo, já que o próprio Diabo se cansou do inferno e resolveu vir morar em Los Angeles, onde ele é pianista. Sou só eu que acho isso genial? Esse é o pontapé inicial da série Lucifer, que estreou em janeiro desse ano pelo canal FOX, tendo o ator Tom Ellis como protagonista.




O seriado criado por Tom Kapinos é uma adaptação do personagem de quadrinhos criado por Neil Gaiman e acabou tendo seu episódio piloto vazado no final de 2015. Antes disso, em maio do mesmo ano, foi lançada uma petição pela One Million Moms da The American Family Association para a interrupção de Lucifer, alegando que ela descaracteriza Satanás e zomba da Bíblia. A resposta de Neil Gaiman foi a memória de quando a mesma associação lançou uma petição contra Sandman, sua criação para os quadrinhos mais famosa, por conta de personagens do universo LGBT em suas histórias e não obtiveram sucesso.


A trama em si é séria e comum, com casos da semana onde eles precisam prender os culpados para resolver o problema. Poderia até mesmo ser um seriado policial genérico, mas, a partir do momento em que você coloca o diabo como protagonista, o fator comum sai um pouco de cena e tudo pode acontecer. E isso faz toda a diferença nos episódios. O roteiro da história, no geral, pode não ser perfeito, mas, ainda assim, é muito bom na sua proposta, que é entreter o público que está acompanhando o seriado. Outra coisa que a história faz bem é desenvolver os personagens através de bons diálogos, normalmente meio absurdos e sempre com muito humor.


Mas eu quero falar um pouco sobre o que é o ponto forte da série. Os diálogos, como falei, normalmente são diálogos absurdos, mas você deve estar pensando “por que são absurdos?”. É muito por causa da situação toda que envolve a cena. Se você pegar a detetive Chloe Decker (Lauren German), ela age como uma pessoa normal agiria, suas frases são coisas que você ouve no seu dia a dia. Em contraponto temos Lucifer Morningstar (Tom Ellis), que fala como louco narcisista que acha que é o próprio diabo, o que, na verdade, ele é, mas ninguém acredita nisso e o vê como um cara que criou um personagem para si mesmo e vive como tal. É quase como se colocássemos personagens de dois universos diferentes no mesmo lugar.


Outra personagem que sempre gera ótimos diálogos é Dra. Linda (Rachael Harris), psicóloga que Lucifer vai todas as vezes que não entende algo que está acontecendo ao seu redor (algo que importa para ele, claro). Ela sempre tenta entender que Lucifer está falando metaforicamente e o ajuda traduzindo o que ele está sentindo, mas por causa do seu modo egoísta de agir, ele normalmente a ignora e entende o que quer e o que é melhor para ele. A cara de frustração dela quando ele sai é sempre impagável.


Só que não é apenas de comédia que a série vive. Nos momentos em que ela se propõe a ser mais séria acaba sendo tão boa quanto. Meu episódio favorito é o A Priest Walks Into a Bar. Nele um padre vai à procura de Lucifer porque ele suspeita que alguém no centro de jovens da comunidade onde ele mora está traficando drogas e, com isso, colocando a vida dos jovens em risco e, principalmente, a vida de um garoto que o padre tem uma ligação especial. É claro que as primeiras reações do Lucifer é negar ajuda e ficar fazendo piadas com o servo de seu Pai, mas conforme o episódio vai se desenvolvendo, os dois vão criando uma ligação tão interessante que, mesmo se a pessoa não quiser ver a série, deveria ver, ao menos, esse episódio.


Apesar de todas as polêmicas no começo e a falta de confiança do público, Lucifer foi bem popular e conseguiu garantir uma segunda temporada, que terá estreia no dia 19 de setembro (2016). Eu gostaria que continuasse por várias temporadas porque foi uma série que me deixou sempre ansioso pelo próximo episódio, não pela curiosidade, mas sim porque eu queria me divertir mais uma vez vendo Lucifer em ação. Por mais que dentro da Vertigo, Lucifer seja um personagem cheio de versões, pelo que pude ver, espero ainda poder ver a participações de Constantine ou Sandman no seriado, ou pelo menos umas referências.
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