Crítica: O Quarto de Jack


Quando ouvi falar de O Quarto de Jack (Room) eu não fazia a mínima ideia do tema. Fiz a besteira de desmerecê-lo pelo nome comum, até o dia em que assisti ao trailer, que já começa cheio de tensão, e não pude ignorar mais. Resolvi assistir no mesmo dia e valeu muito a pena.

Brie Larson vive a jovem Joy, que foi sequestrada aos 17 anos e foi mantida em cativeiro em um quarto de dez metros quadrados. Mas o destaque do filme é, sem dúvidas, Jacob Tremblay, o ator de nove anos que interpreta Jack. O filme começa com o menino completando cinco anos e nos mostra a vida que ele leva com a sua mãe no quarto, tudo com uma visão inocente e até bonita que só uma criança poderia ter.

Joy criou o seu filho como se aquele quartinho fosse o mundo todo e a única coisa que ele via do mundo lá fora era um pedacinho do céu pela claraboia do teto. Para Jack, as coisas que ele via na televisão não eram reais, mas a partir do momento que sua mãe resolveu que já era tempo dos dois escaparem daquele lugar, ela decidiu contar toda a verdade para o menino. Foi como convencer um adulto cético de que papai noel existe, Jack se recusava a acreditar que existia um mundo muito maior lá fora.

Apesar de saber que ambos escapam do Velho Nick (o sequestrador interpretado por Sean Bridgers), é impossível não ficar nervoso na cena em que Jack está enrolado no tapete na caminhonete. A minha vontade era de invadir a tela e ajudar o menino a escapar dali o mais rápido possível. É emocionante vê-lo descobrindo o infinito do céu e todas aquelas árvores que ele jurava não serem reais, mas ainda assim ter a coragem de enfrentar aquele mundo totalmente novo e desconhecido na esperança de salvar sua mãe que ainda estava no cativeiro. 

O desenrolar da história mostrando mãe e filho de volta ao mundo real é uma mistura de revolta e emoção. O que me fez lembrar muito do filme A Vida É Bela, em que um pai, em um cenário de guerra, cria um mundo de sonhos para que o filho não sofra com a dura realidade da situação em que se encontravam. Foi exatamente o que Joy fez para criar seu filho de uma forma que não traumatizasse sua infância, e vemos no filme o quanto isso funcionou ao perceber que Jack se tornou o maior apoio e conforto para sua mãe.

O Quarto de Jack, um filme baseado no livro “Quarto”, de Emma Donoghue, foi indicado á quatro categorias no Oscar 2016: filme, direção, roteiro adaptado e atriz. O filme levou uma estatueta pela interpretação de Brie Larson, que venceu a categoria de melhor atriz.


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