Crítica: Esquadrão Suicida


Todo filme merece uma chance independente do que a crítica fale. E desde quando o Esquadrão Suicida começou a ser divulgado, ele me chamou a atenção. Um grupo de vilões salvando o dia, um monte de música boa na trilha sonora, todos aqueles posters super coloridos e chamativos, vários trailers com cenas de ação e frases de efeito. Uma ótima mistura para fazer um grande filme. Uma pena que isso tenha ficado apenas na divulgação.

Nos trailers, como o Coringa sempre estava separado do Esquadrão, imaginei que capturá-lo seria a missão do grupo de vilões, mas essa foi uma ideia errada que tive. Conforme a história ia se desenrolando, eu ficava com aquela sensação de “porquê fizeram isso com o filme? Ele parecia ser tão bom”. Ouvi em alguns podcasts e li em alguns sites que se o objetivo fosse derrubar algum governo ou algo do tipo seria mais interessante e, realmente, acho que seria mesmo uma história mais envolvente.

Sabe Arrow? Aquele seriado que todo mundo ama falar mal (e que realmente têm muitos defeitos). Lá eles começaram a desenvolver uma história com o Esquadrão Suicida que parecia ser nessa levada de uma unidade especial para realizar missões secretas e que era dispensável. Talvez a ideia de misturar personagens muito poderosos com outros mais realistas não tenha sido uma boa escolha, pois o grupo ficava muito desproporcional. Nas cenas que o El Diablo ficou de fora, eles tiveram um combate mais acirrado e, a partir do momento que ele entrou em modo combate, só daria para enfrentar um ser muito poderoso ou então seria algo unilateral.

Mas, agora, falando um pouco sobre os personagens: teve os que eu gostei. Para começar a Arlequina que, sem dúvida, foi o maior alívio cômico do filme. Eram os momentos que davam para se divertir um pouco. Uma pena que quase todas essas cenas divertidas dela no filme já haviam sido apresentadas nos trailers. Se teve um momento dela que eu não gostei foi aquela parte em que ela fala sobre o grupo ser como uma família para ela. Isso de família não combina com ela. Os únicos que se preocupavam com família eram o pistoleiro e o El Diablo e, ainda assim, com as suas próprias famílias e não um grupo de bandidos que tinha acabado de se juntar.

O Pistoleiro era um dos personagens que eu mais conhecia naquele grupo todo por causa de sua participação em Arrow. O Will Smith conseguiu dar um pouco mais de profundidade ao seu personagem em relação aos demais. O El Diablo foi uma surpresa. Parecia ter muito o que ser mostrado, mas ficou muito tempo jogado de lado para ser usado como uma arma secreta em um momento de desespero. A Magia na sua primeira forma foi até interessante, só que a partir do momento que virou aquele super ser, a personagem caiu no meu conceito.

Já os outros membros do esquadrão não me conquistaram. As versões do Capitão Bumerangue e da Katana apresentados em Flash e Arrow foram mais interessantes, principalmente a Katana que não parecia uma doida varrida igual a do filme. Pode ser que essas versões do filme sejam mais próximas dos quadrinhos, mas, independente disso, ficaram ruins. Uma coisa que eu ouvi há um tempo é que esses filmes não são feitos para fãs. Claro que quando um fã vê uma cena, que ele leu nos quadrinhos, representada na tela, ele fica super feliz e emocionado, mas quem realmente dá o retorno financeiro é o povão que entra no hype do filme após ver os trailers e materiais de divulgação. Talvez até seja esse um dos motivos de terem tanto material divulgado antes de um filme.

Admito que, quando foi apresentado o visual do Jared Leto, eu fiquei empolgado porque eu não queria ver a tentativa de recriar um personagem, queria uma nova versão, mas eu não vou comparar o Coringa dele com o do Heath Ledger aqui, pois já estão fazendo isso em muitos lugares e todos já sabem o resultado. Acredito que o do Heath Ledger foi um ponto fora da curva no bom sentido, porque o tom que ele deu ao personagem dificilmente conseguirá ser replicado e até espero que não tentem e que, ao invés disso, procurem tentar fazer coisas novas. Como o que vem sendo mostrado aos poucos em Gotham, acredito que esse garoto vai conseguir mostrar uma nova face do vilão que vai ficar marcado na história como o Coringa do Cameron Monaghan. 

Muitos devem ter ouvido por aí o seguinte comentário: “a DC/Warner está querendo criar o seu próprio Guardiões da Galáxia”. Eu, sinceramente, acho uma comparação injusta. Tirando a ideia de juntar bandidos em um grupo, o resto é totalmente diferente. Agora uma coisa que eu estranhei foi usarem uma música que foi usada no Guardiões. Claro que são livres para usarem as músicas que quiserem, mas realmente ficou um clima assim “ué, porque tá tocando essa música?”. Vale mencionar ainda que a trilha sonora desse filme foi uma bagunça e um desperdício.

Acho que, assim como a maioria das pessoas, a Arlequina foi a personagem mais interessante do filme, mas eu queria deixar uma menção honrosa ao pistoleiro também.

Criticar um ou outro ator pelo resultado final dos seus personagens seria até injusto. Muitos atuaram bem, menos o Capitão Bumerangue, esse foi realmente péssimo. Acredito que num filme cheio de vilões, os que destacaram mais (da pior maneira possível) foram o roteiro, a edição, a trilha sonora e, principalmente, as decisões tomadas pela Warner para deixar isso tudo acontecer.

Talvez eles terem mudado tanta coisa no filme depois da recepção que Batman vs Superman teve, tenha atrapalhado muito. Eu gostaria de ver como teria sido o corte original. Talvez teria agradado muito mais gente. Enfim, o filme realmente decepcionou muito. Eu estava mais ansioso pelo Esquadrão Suicida do que por Batman vs Superman e depois de todos esses lamentos e reclamações, a minha nota para o filme não passa de um 2/10, infelizmente.
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