Crítica: Expresso do Amanhã


O Expresso do Amanhã (Snowpiercer) é um filme de 2013 do diretor sul coreano Joon-Ho Bong (O Hospedeiro) e tem em seu elenco grandes nomes como Chris Evans, Tilda Swinton, John Hurt e Ed Harris. A primeira impressão que você tem do filme é que ele vai ser só mais um filme de ficção científica que fala sobre um futuro pós apocalíptico, mas ao decorrer do filme você começa a notar as várias críticas que o diretor faz à sociedade e à maneira como cada classe social enxerga apenas o seu mundo, não conseguindo se colocar no lugar dos outros.

Depois de o ser humano devastar o planeta fazendo com que o aquecimento global chegue em um nível insuportável, com o intuito de impedir esse avanço climático, uma instituição mundial decide fazer um experimento que, em teoria, faria com que o clima voltasse ao normal, mas o experimento acaba falhando e fazendo com que uma nova era glacial comece. E o único lugar onde ainda tem vida é em um trem autossustentável que fica dando voltas em torno do mundo e cada volta sua demora exatamente um ano.

São nos vagões desse trem que podemos ver claramente a pirâmide social que o diretor critica. No último vagão temos os pobres que servem só para quando os mais ricos precisam de algo. Eles vivem uma vida de miséria. Ao longo dos dezoito anos que o trem se mantém em movimento, várias tentativas de revoltas já aconteceram, mas nunca chegaram a ir muito longe. No vagão existem duas espécies de líderes que trabalham juntos para tentar uma nova revolta, Curtis (Chris Evans), que representa mais a figura do guerreiro que está disposto a arriscar sua vida pela causa, mas sempre procurando o melhor momento para agir e, Gilliam (John Hurt), que já é o líder mais sábio e respeitado por todos, inclusive por Curtis que o vê quase que como uma figura paterna.

Você acompanha a jornada das pessoas que não tem nada tentando conseguir uma vida melhor e deixar de ser subjugadas por aqueles que estão no poder, saindo do último vagão e atravessando o trem inteiro, onde cada vagão tinha um obstáculo diferente, até chegar na frente do trem, onde o cabeça de todas aquelas regras vive.

O objetivo da trama em si é simples, mas a maneira como ela é contada e o clima claustrofóbico, causado pelas cenas serem dentro de vagões apertados, faz com que você fique preso junto com eles naquela história. Todos os atores estão muito bem nos seus personagens, desde aqueles que são mais reais até aqueles mais caricatos.

Eu já estava achando o filme bom, mas depois da cena onde Curtis conta como foi dentro do último vagão... No começo eu fiquei maravilhado com o filme. A forma com que o Chris Evans conta a história faz com que você sinta o sofrimento e se emocione junto com ele.

Se eu tivesse que apontar algum defeito no filme foi que algumas cenas eram muito escuras, mas condizem com o que está sendo contado, pois eu entendo que dentro de vagões de carga seria daquele jeito mesmo, mas foi um pouco difícil para mim.

Tirando esse detalhe, o filme foi ótimo e recomendo a todos que assistam. Ele é um daqueles filmes bons e pouco conhecidos que está disponível na Netflix.


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