Fullmetal Alchemist: Brotherhood



Um dia desses resolvi escrever um pouco. Pensei numa história de magos e alquimistas e então fui procurar referências no meu palácio mental e encontrei um dos melhores animes já feitos: FullMetal Alchemist. Adaptada do mangá de Hiromu Arakawa (que por ser mulher teve de mudar o kanji de seu nome para um masculino), a série já contou com duas adaptações de animes, uma que foi lançada quase ao mesmo tempo que o mangá e teve várias alterações e final diferente e outra que segue fielmente o mangá com o nome de Fullmetal Alchemist: Brotherhood, e é dessa que vamos falar hoje.

Por incrível que pareça, eu não tinha visto toda a primeira versão do anime e fui surpreendido com tamanha complexidade de enredo. Até por volta do episódio 26, as histórias seguem parecidas: os irmãos Edward e Alphonse Elric procuram pela pedra filosofal para recuperar seus corpos (Alphonse) e membros (Edward) que foram levados numa transmutação humana, antigo tabu da alquimia que “não poderia ser quebrado”.

Cheio de referências ao mundo real, o anime se passa no país de Amestris - uma ditadura militar que conta com uma divisão de alquimistas que servem ao exército comandado pelo Fuhrer King Bradley (você já deve ter ligado a referência a Hitler, que também usava o “fuhrer”, palavra em alemão que significa líder. E em aparência também muito se assemelham, inclusive o clássico bigode.) A ambientação lembra muito a Europa pós revolução industrial, porém com aquela pitadinha gostosa de ficção científica que nos traz avanços como as próteses mecânicas com perfeita comunicação neural e um profundo estudo dos elementos químicos. O conceito de guerra é bem trabalhado, a começar pela matança que os alquimistas promovem no país vizinho de Ishbal por ordem do governo. Os traumas que vários dos personagens carregam por matar inocentes os moldam e os fazem mais fortes, tal qual o coronel Roy Mustang, O Alquimista das Chamas, que quer se tornar fuhrer para mudar esse histórico de sangue que é Amestris.

Os homunculus (seres humanos criados com auxílio da pedra filosofal) demonstram bem os aspectos de suas naturezas: inveja, ganância, gula, ira, orgulho, luxúria e preguiça. Com o decorrer da trama, é mostrado o seu criador que é chamado por eles de Pai e seu plano que já provém de muitos anos atrás em toda aquela região do mapa, antes mesmo de existir o estado de Amestris. Do meio para frente aparecem personagens que não existiam na primeira versão do anime, como Ling Yao, futuro sucessor no império do país de Xing (outra referência clara à China), e a garotinha May Chang, que domina um tipo de alquimia mais desenvolvida com base na cura e tem um panda muito fofinho que todo mundo confunde com um gato. Mais ao norte de Amestris, no que se parece muito com as terras gélidas de Winterfell de Game of Thrones, há uma muralha que é protegida por uma general mulher muito forte que não vou contar o nome para evitar spoilers, mas que toda vez que aparece rouba a cena por ser tão boa líder que seus subordinados dariam a vida por ela se preciso fosse.

Vale muito a pena ver Fullmetal Alchemist, cheio de mistérios e ótimas cenas de luta/ação animadas com mérito por um dos melhores estúdios de animes (estúdio Bones, que também animou Soul Eater e Star Driver e é responsável atualmente por Boku no Hero Academia) o anime se mantém muito atual com diversas questões que nos rodeiam até hoje. Falando um pouco da versão brasileira, a dublagem ficou excepcional. Com os dubladores originais da primeira série, o trabalho de tradução e adaptação vai te fazer dar altas risadas com o pessoal chamando o Edward de baixinho. E se você já é um grande fã da série e não leu os mangás, a JBC, detentora dos direitos no Brasil, está relançando os volumes com uma qualidade muito boa. Além das duas séries, existem ainda mais dois filmes animados e um filme em live-action está sendo produzido no Japão e tem previsão de estreia para 2017. Para mais notícias sobre Fullmetal Alchemist, dá uma passada aqui na taverna. Abraços!
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