Black Mirror



Preparação para Black Mirror

Os avanços da tecnologia facilitam cada dia mais nossas vidas. Não imaginamos mais um mundo sem internet e voce não sai de casa sem seu celular. Com conteúdo acessível em qualquer lugar e hora, às vezes me pego indagando o que Newton ou Galileu fariam com tamanho acervo disponível ao toque de seus dedos. Da mesma maneira que existem coisas boas, já convivemos com o lado obscuro desses avanços como o radicalismo na web e o afastamento das relações entre as pessoas. Black Mirror é uma série britânica criada por Charlie Brooker que retrata bem esse lado.

Com um formato de antagonia, cada episódio conta com elenco, tramas e roteiros totalmente diferentes uns dos outros. Na maioria das vezes, a série traz elementos futuristas que não estão tão longe de se tornarem reais, o que causa empatia com o espectador. Os roteiros são montados de maneira inteligentíssima e tem finais que tendem a fazer você ficar pensando por um bom tempo sobre os assuntos abordados. Atualmente a série conta com duas temporadas de 3 episódios e um especial de natal. Depois de entrar no catálogo da Netflix, o já aclamado título, conseguiu mais notoriedade, o que fez com que a mesma fechasse um acordo com o criador e encomendasse mais 12 episódios, sendo 6 com estreia confirmada em 21 de outubro e mais 6 previstos para 2017. Se você nunca assistiu a série, vamos fazer um resumo bem simples dos episódios anteriores sem revelar demais os plots e recomendamos fortemente que você veja, principalmente se gosta de roteiros cheios de mistério que usam de ficção científica para tratar de questões do nosso cotidiano.

Primeira temporada

Episódio 1 - The National Anthem

Depois de muito ouvir falar sobre, decidi ver essa série de “contos de ficção científica”, como dizia a descrição da Netflix. E, tcharam: o primeiro episódio é quase nulo em relação ao gênero. O episódio começa com o primeiro ministro britânico sendo chamado, pois haviam sequestrado a duquesa de Baumont, a princesa inglesa que, mesmo sendo um ícone meramente decorativo, era uma pessoa voltada aos interesses das pessoas simples e era conhecida por ser muito simpática. E a surpresa vem: o sequestrador não quer dinheiro. Ao invés disso, ele quer que o primeiro ministro transe com um porco e transmita o ato em rede nacional pela internet. Sério? Você não irá desgrudar um segundo sequer até que o episódio termine. 

Episódio 2 - Fifteen Million Merits

Agora sim, uma sociedade futurista. Porém vemos um rapaz acordando no seu quarto, um cubículo todo revestido de telas que passam diversas propagandas. Logo após, ele vai para o seu trabalho que é pedalar, sempre com os olhos fixos em alguma tela. A propósito, Black Mirror tem esse nome exatamente para fazer essa relação entre pessoa e tela (vide o seu smartphone ou TV. Quando você desliga o que resta?). Então uma nova integrante do ambiente de trabalho desperta algo diferente nele e ele resolve investir no talento dela com o “dinheiro” que seu irmão deixou como herança. Esse episódio é escrito por Charlie Brooker e Konnie Huq.

Episódio 3 - The Entire History of You

Esse é um dos episódios mais famosos e muita gente fica fã da série aqui. Depois de sair de uma entrevista de emprego, o protagonista revê como foi a reunião com o auxílio de uma tecnologia implantada no pescoço ligada ao sistema nervoso chamada de “grão” que permite filmar tudo o que passa em sua vista e salva num banco de dados. Esse episódio trata bastante da relação interpessoal e da exposição da vida particular para as outras pessoas. A ambientação é de um futuro próximo novamente e, em meio a toda tecnologia, vê-se carros antigos e casas com bastante verde e design amadeirado para dar um contraste retrô. O roteiro como sempre é muito bem feito e chamou tanta atenção que o ator Robert Downey Jr. comprou os direitos do episódio para adaptá-lo para o cinema. Também é o único que não é assinado pelo criador Charlie Broker e, sim, por Jesse Armstrong.

Segunda temporada

Episódio 1 - Be Right Back

Na minha opnião, o melhor episódio da série. Eu vejo como uma expansão do filme “Her”. Depois de perder o marido em um acidente, a protagonista é colocada sem intenção num serviço que pega o perfil da pessoa falecida e tudo o que ela postou nas redes sociais e monta uma inteligência artificial idêntica que troca e-mails, conversa e, a partir daí, a relação entre eles vai evoluindo. São levantadas questões como luto, perda e relacionamento afetivo. Sinceramente, quase escorreram lágrimas assistindo esse episódio que também é o preferido de muita gente.

Episódio 2 - White Bear

Um dos episódios mais perturbadores, mostra o caso de uma mulher que acorda sem lembranças e com fortes dores de cabeça. Ela vê uma imagem estranha na TV e, desesperada, sai da casa e dá de cara com pessoas que ficam vendo-a, porém não respondem seu apelo por ajuda. Cheio de suspense e mistério, o episódio é uma dura crítica e não é improvável que, se o ocorrido fosse nos dias de hoje, com certeza, teriam muitos simpatizantes com os métodos mostrados.

Episódio 3 - The Waldo Moment

Considerado pela maioria dos fãs o mais fraco. É um episódio voltado para o debate político e para a banalização dos representantes do estado. Vemos muito do cenário atual do nosso país neste episódio (o que é bizarro). Aqui é mostrado um comediante fracassado que consegue bastante destaque por interpretar Waldo, um boneco virtual (tipo um avatar da xbox live), e por expressar um discurso forte e polêmico, além de usar diversos tipos de ofensas sem pudor algum. 

Especial de Natal - White Christmas

Esse episódio é, sem dúvida, um dos melhores por apresentar vários plots que vão se convergindo. E, como já é de se esperar em Black Mirror, tem um final surpreendente. O episódio mostra dois homens que estão sozinhos em uma casa no meio do nada e começam a contar suas vidas tentando descobrir o porquê de estarem ali. 

Espero ter levantado a curiosidade em você. Caso queira ver, está tudo na Netflix e, daqui alguns dias, teremos episódios novos que prometem serem melhores ainda, já que o serviço de exibição online é conhecido por dar muita liberdade para os criadores. Caso já tenha assistido, comente o que você achou da série ou qual episódio te fisgou. Abraços.
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