Crítica: Luke Cage


Não sei nem por onde começar. Luke Cage foi uma grande e boa surpresa! Depois de uma leve decepção com Jessica Jones, eu fiquei meio inseguro com Luke Cage. Sem contar que sua participação na série da ex-heroína deixou a desejar. Como sempre falo, o monstro da expectativa destrói as séries. Só que, dessa vez, ele não atacou Luke Cage (deve ter ficado com medo do cara).

A Marvel e a Netflix conseguiram trazer todo o clima dos filmes de blaxploitation para um seriado de quadrinhos, desde a ambientação até a trilha sonora. Trilha sonora essa que eu gostaria de dar um destaque especial porque, das séries do gênero, Luke Cage é, de longe, a que possui a melhor trilha sonora. A equipe de produção lançou aquele vídeo falando da importância que as músicas teriam na série e quando você assiste aos episódios, você vê o quanto eles tinham razão. Músicas adicionam à cena um algo a mais, dependendo do que ela quer transmitir. Em momento algum teve alguma música fora de contexto. Eu gostei também que em muitos momentos o Cottonmouth (Mahershala Ali) ficava parado ali só admirando as músicas sendo tocadas em seu bar e é meio isso que nós fazemos durante o seriado. Claro que tem aquele ponto que é um estilo musical que me agrada. Talvez se você não gostar, a experiência que vai ter assistindo a série possa ser um pouco diferente.

Você vê a todo momento como a cultura e o orgulho das pessoas nascidas no Harlem são destacados. Eles falam muito sobre as pessoas que saíram dali para o mundo e se tornaram grandes. Por mais que isso seja importante para que quem está assistindo também se interesse, por outro lado, se você não tem um conhecimento básico sobre a cultura afro americana, acaba ficando perdido em meio a tantos nomes que são citados, muitas vezes, em apenas uma frase.

Outro ponto positivo que a série teve foi o bom elenco escolhido e a maneira que eles deram vida aos seus personagens. Não sei dizer como eles são nos quadrinhos, mas, na série, que é o que estou julgando aqui, achei que todos tiveram carisma para me conquistar. O próprio Luke Cage (Mike Colter) que na série da Jessica Jones estava horrível, deu para ver como sua atuação mudou, tendo até um pouco mais de expressão. Claire Temple (Rosario Downson) estava ainda melhor do que em suas outras aparições, agora com mais tempo para desenvolver sua personagem e mostrar como ela é forte. Por falar em mulheres fortes na série, tivemos a Detetive Misty Knight (Simone Cook) e a Vereadora Mariah (Alfre Woodard). Em muitos momentos as duas roubam a cena. A maneira como a Misty investiga as fotos, me lembrou muito o estilo do Sherlock e a Mariah com toda sua sede de poder, faz de tudo para se reeleger como vereadora.

Agora, meus dois personagens favoritos na série foram o Cottonmouth e o Shades (Theo Rossi). Por mais que eles fossem os vilões, eles tinham algo a mais nos seus personagens. O Shades sempre tentando planejar tudo para que as coisas não saíssem do controle com aquele jeito mais calmo dele e, em contrapartida, o Stokes, muitas vezes agia movido pela emoção. E quando a história do seu passado é revelada mostrando como às vezes o meio em que a pessoa vive influencia em decisões que ele acaba tomando (nem sempre isso acontece, mas no caso dele sim), você acaba gostando um pouco mais do personagem. Se teve um personagem que não me agradou foi o Kid Cascavel (Eric LaRay Harvey). Por mais que seja uma série de super-heróis, ela estava bem pé no chão até a aparição dele. Achei o personagem muito exagerado pelo que vinha sendo apresentado até aquele momento.

Vi muitas pessoas comentando que acharam o seriado lento. Ele pode não ter tido o ritmo dos seriados do Demolidor, mas ainda assim a sua história evolui, não tem aqueles episódios super épicos e em seguida aqueles que te fazem pensar por que está assistindo aquilo. O seriado mantém um ritmo constante, por mais que não seja um ritmo desenfreado. Criou-se um estigma que tudo que envolve super heróis tem que ser ação o tempo todo e não é sempre assim. Luke Cage tem muito a oferecer na parte cultural e social. Se você ainda não viu Luke Cage, dê uma chance para a série porque a história está bem interessante e, se você leu até aqui e ainda não se empolgou em assistir, lembre-se que esse foi o herói que serviu de inspiração para o maior mito aqui do De volta para a Taverna criar seu nome artístico, o nosso amado Nicolas Kim Coppola, ou como é mais conhecido, Nicolas Cage. E que venha Punho de Ferro e os Defensores logo, porque eu quero ver esse pessoal todo junto. Valeu!
Tecnologia do Blogger.