Mr. Robot – 1ª temporada


Olá, leitores! Hoje vamos falar um pouco sobre a primeira temporada da série Mr. Robot. Um dia desses, estava eu sem série para assistir (como se não houvesse várias na lista), aí uma amiga comentou sobre Mr. Robot. Eu nunca tinha ouvido falar e, de início, admito que não me interessei muito. Porém, assim que ela comentou comigo, eu tive aquela sensação de “poxa, até agora eu nunca tinha ouvido falar dessa série e agora que ouvi pela primeira vez, vejo algo relacionado a ela para todo lado”. Depois disso e depois de ver algumas críticas comentando que a série questionava o sistema capitalista em que vivemos (sei que parece clichê. Também pensei isso, mas acaba não sendo), resolvi que assistiria e não me arrependo nem um pouco.

Outro ponto essencial para que eu decidisse assistir imediatamente à série foi quando descobri que ela havia derrotado Narcos e Game of Thrones no Globo de Ouro 2016. Sim, é isso mesmo, Mr. Robot ganhou o Globo de Ouro de melhor série dramática, vencendo Game of Thrones e Narcos. As outras concorrentes eram Empire e Outlander.

Bom, Mr. Robot mostra a vida de Elliot (Rami Malek), um programador que sofre de depressão e transtorno de ansiedade que o torna antissocial e faz com que ele pense que a única forma de se conectar com as pessoas é hackeando suas vidas. Elliot trabalha em uma empresa de cyber-segurança e atua também como hacker. Ele é um personagem bem no estilo anti-herói, com todos os seus problemas e atitudes nada admiráveis em diversos momentos. Elliot precisa tomar uma importante decisão quando conhece o líder anarquista (Christian Slater) de um grupo de hackers (fsociety) que o recruta para destruir a firma que ele é pago para proteger.

A ideia do grupo é hackear o sistema financeiro com a intenção de destruir os dados de todas as pessoas e com isso libertá-las de suas dívidas financeiras. Há uma clara crítica ao sistema capitalista em que vivemos, criticando principalmente as grandes corporações que visam o lucro acima de tudo. Por causa dessas e outras, a série é muitas vezes comparada às obras Clube da Luta, 1984, Matrix e V de Vingança, com algumas pessoas até mesmo afirmando que a série é uma cópia descarada de Clube da Luta.

Uma característica muito interessante da série, além da ótima atuação de Rami Malek, é a maneira como a história é contada. Elliot é quem narra a história e ele narra para o telespectador, como se fôssemos um amigo imaginário dele. Mas ele não narra no estilo Frank Underwood de House of Cards, pois, diferente de Frank, ele narra apenas em pensamento. Outra curiosidade é que os nomes dos episódios são nomes de arquivos com direito à underline, letras e números misturados contendo até mesmo o ponto e a extensão ao final como, por exemplo, o nome do primeiro episódio: “eps2.0_unm4sk-pt1.tc”.

Já que tocamos no assunto do primeiro episódio, vale destacar que a série já começa de uma maneira bastante interessante, com Elliot desmascarando o dono de um café, que fornecia pornografia infantil aos usuários de seu site. Elliot o hackeia e quando descobre seus podres, o entrega para a polícia. Ainda no primeiro episódio, em um diálogo com a sua psicóloga em que ela pergunta o que na sociedade o decepciona tanto, ele responde: “Não sei. Será porque todos achamos que o Steve Jobs era um grande homem, mesmo sabendo que ele ganhou bilhões explorando crianças? Ou talvez porque nosso heróis são uma farsa. O mundo inteiro é só um grande boato. Assediamos uns aos outros com comentários imbecis disfarçados de opiniões. E as mídias sociais que fingem promover intimidade (...)”. Um detalhe é que, na verdade, ele não respondeu isso à sua psicóloga, ele apenas pensou tudo isso e ficou em silêncio.

Em outro episódio ele comenta que agora ele será mais normal, diz que vai ter uma namorada e eles verão os estúpidos filmes da Marvel juntos, ele vai fazer academia, vai curtir as coisas no Instagram e vai beber café com leite de baunilha. Sempre tem umas alfinetadas desse tipo no estilo de vida que levamos.

Outro personagem memorável que não pode deixar de ser mencionado é Tyrell Wellick (Martin Wallström), nosso vilão misterioso e também cheio de problemas, que tem um ego enorme e uma arrogância ainda maior. É um personagem realmente interessante e que suas reais intenções e motivações não ficam muito claras para nós.

Nos episódios finais dessa primeira temporada acontece um plot-twist que deixa muita gente confusa (inclusive eu). Admito que fiquei com muitas dúvidas sobre o que eu havia entendido até o momento. Eu não sabia mais diferenciar o que realmente havia acontecido e o que era apenas imaginação do nosso querido Elliot, já que vemos tudo sob a sua perspectiva.

Outro ponto interessante é a referência que a série faz ao filme Clube da Luta. Além da revelação da personalidade de Elliot, ao final do penúltimo episódio toca a música Where Is My Mind (que faz parte da trilha sonora de Clube da Luta), deixando uma clara referência ao filme e talvez tentando passar a imagem de que a série não é uma cópia de Clube da Luta, como muitos pensam, e sim uma homenagem. Mas não sei dizer se isso convenceu os críticos.

Enfim, recomendo que assistam à série e já aviso que não é o tipo de coisa para assistir com os seus pais. Caso já tenham assistido, deixem suas opiniões nos comentários. Ah, ainda teremos um texto sobre a segunda temporada aqui no site. Um abraço e até a próxima!
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