Crítica: Westworld - 1ª Temporada


“- Bring her back online. Can you hear me? 
- Yes. 
- I'm sorry. I'm not feeling quite myself. 
- You can lose the accent. Do you know where you are? 
- I'm in a dream. 
- That's right, Dolores. You're in a dream. Would you like to wake up from this dream? 
- Yes. I'm terrified. 
- There's nothing to be afraid of, Dolores. As long as you answer my questions correctly. Understand? 
- Yes. 
- Good. First... Have you ever questioned the nature of your reality?“

Lançada recentemente pela HBO, a superprodução Westworld acontece em um futuro utópico. De uma forma não convencional a HBO apresenta e relaciona inteligência artificial, consciência e realidade. Indo ainda mais longe, o autor da série junta o melhor do bang bang dos antigos filmes de velho oeste com o melhor do sci-fi. Na série, westworld é um parque temático criado por Ford e Arnold. Os integrantes do parque são androides que passaram no teste de Turing, ou seja, são indistinguíveis de um ser humano. O parque tem o objetivo de levar turistas milionários para viver sem limites, segundo o slogan deles. Os turistas chegam ao parque por um trem, já vestidos com roupas temáticas juntamente com alguns androides, entre eles Teddy, um dos personagens principais da série. De forma simples, podemos dizer que o funcionamento do parque é como o de um jogo de RPG, em que os personagens (Humanos reais) caminham pelo parque podendo interagir com os androides, enquanto eles interagem entre si ou com os turistas, caso estejam programados para tal. Quando um turista interage com um dos androides, esse androide pode te levar para uma aventura dentro de um enredo ou até mesmo para a cama, caso seja uma das prostitutas locais. Como já descrevi anteriormente, os turistas podem viver sem limites no parque. Portanto, os turistas podem fazer o que quiserem com os androides, inclusive matá-los, como acontece o tempo todo. Por outro lado, os androides podem matar uns aos outros, mas nunca podem ferir um humano. 

Gostaria de descer mais na toca do coelho?

Assuntos filosóficos podem parecer chatos para muita gente, mas são intrigantes para qualquer um que se depare com tais temas. No primeiro minuto do primeiro episódio, o narrador – Bernard – que parece estar analisando Dolores, a androide apresentada como a protagonista junto com Teddy, faz a pergunta: Have you ever questioned the nature of your reality? (Você alguma vez já questionou sobre a natureza da sua realidade?). Bem aqui a série já me ganhou. Com o passar dos episódios, fica claro que os androides estão desenvolvendo uma certa consciência após uma atualização na programação deles, os devaneios. A cada enredo que eles pertencem, eles seguem uma lógica, podendo improvisar sutilmente suas ações. Entretanto, após a atualização, eles começam a se lembrar de acontecimentos anteriores e passam a agir cada vez mais de forma diferente. A série mostra isso de uma forma curiosa e nos lembra de nossas rotinas. Somos programados para viver como vivemos? Essa semana li um artigo intitulado “O nosso Universo é meramente uma simulação?”, em que diversos pesquisadores estudam e levam essa hipótese a sério sugerindo que nosso universo não seja real e sim uma gigante simulação.

Outra coisa que me chamou atenção foi a excelente abertura e a notável trilha sonora, a qual foi composta por clássicos da música reproduzidos em piano combinando perfeitamente com o cenário de velho oeste. Logo de início já ouvimos Black Hole Sun do Soundgarden, e no decorrer dos episódios, a trilha sonora conta também com Rolling Stones, The Cure, Radiohead e em particular com a música House of the Rising Sun do Animals – que é um clássico, diga-se de passagem – e com Ain't no Grave (Gonna Hold This Body Down) do Jhonny Cash, que claro que não poderia ficar de fora da lista. Ouvir essas músicas tocadas no piano automático da cena, enquanto rolava cenas de bang bang de velho oeste, foi f#$%. 

Vamos agora às referências. A série teve base em alguns livros famosos na literatura, além de referenciar quadros famosos como o Homem Vitruviano de Da Vinci e apresentar easter eggs a todo momento, como o próprio nome de Arnold Weber que é um anagrama de Bernard Lowe. Em Westworld, Dr. Ford descreve a consciência dos androides baseando-se na teoria da Mente Bicameral do livro A origem da Consciência no Colapso da Mente Bicameral de Julian Jaynes. Em diversos momentos, também há referências a Shakespeare, como aquela que todos já sabem do pai de Dolores dizendo These Violent delights have violent ends (Estes violentos prazeres têm violentos finais) que vem da obra Romeu e Julieta. Outro easter egg que vale a pena citar é o do Alice no país das maravilhas. Além da roupa e todas as características físicas de Dolores, o próprio livro é inserido em algum momento da série. Além disso, há também referências ao Eu, robô de Isaac Asimov e Frankstein. Por fim, vale mencionar também que há várias referências a Game of Thrones e, como easter eggs não faltam, é só fazer uma pesquisa no google para encontrar muito mais.




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