Sherlock: The Final Problem


Com dez minutos de episódio eu já estava considerando “The Final Problem” o melhor episódio de Sherlock. Certamente há outros episódios mais divertidos e com cenas icônicas que ficaram marcados, como o episódio passado que teve uma carga dramática maior e com isso a chance de ver os atores dando tudo de si no quesito de interpretação, mas essa season finale foi digna de Sherlock Holmes. Ver, pela primeira vez, o detetive enfrentando alguém com um nível de inteligência maior do que o dele foi surpreendente. Nunca havíamos visto Sherlock Holmes dançando tão perdidamente nas mãos de alguém. Se no episódio passado ele se mostrou atento o suficiente para estar semanas à frente nas escolhas do Watson, dessa vez ele não conseguiu prever nada.

A mente brilhante por trás disso tem nome: Eurus Holmes. E que personagem incrível ela foi! Tão incrível que fiquei me perguntando porque não colocaram essa mulher em ação antes? Fiquei com vontade de ver mais da Eurus. Mas então eu paro um pouco pra pensar e: será que aguentaríamos mais planos contra o Sherlock em um nível desses? Ao mesmo tempo que Eurus foi brilhante, ela foi assustadora. Imaginar que ela havia matado um cachorro enquanto ainda era só uma criança já foi doloroso o suficiente, mas descobrir que na verdade o Redbeard era um menino foi chocante demais.

Enquanto Eurus brincava com Sherlock, Mycroft e John em Sherrinford, não pude deixar de remeter as cenas ao filme “Jogos Mortais”, onde a cabeça de todos os jogos só fazia isso na intenção de fazer com que as pessoas valorizassem sua vida. Em vários momentos a gente pode perceber que em momento algum Eurus queria matar o Sherlock ou fazer algum mal a ele (se é que isso faz sentido), pelo contrário, tudo o que ela queria era a atenção e o amor dele, e isso mostra o quão doentia pode ser uma mente dessas. 

Se teve uma cena que me desesperou foi quando a Molly precisava dizer “Eu te amo” para o Sherlock e ela não falava nunca! Foram alguns ataques cardíacos durante essa cena. E para mostrar como o Sherlock se tornou mais humano nessa temporada, vimos um surto de raiva dele que nunca esperávamos presenciar, mostrando o quão frustrado ele estava por ser feito de marionete pela Eurus e com isso ter brincado com os sentimentos da Molly que, querendo ou não, é uma grande amiga dele também.

Confesso que não entendi num primeiro momento porque estava tocando I Want To Break Free do Queen naquele episódio, pois foi uma coisa tão destoante naquele momento, que vinha com uma carga de tensão enorme, mas fez todo sentido quando o Moriarty apareceu de forma esplêndida. Fiquei decepcionada quando descobri que aquela aparição era de cinco anos atrás? Fiquei, mas mesmo assim não deixou de ser sensacional vê-lo mais uma vez em cena. Definitivamente, ele é o morto mais presente em uma série.

E quem precisa de Arlequina e Charada quando se tem Eurus e Moriarty? Ver os dois juntos foi insano demais, mas depois que explicaram a relação deles, eu fiquei me perguntando se a Eurus não diminuiu um pouco as ações do Moriarty na série. Por mais que eu não tenha lido Sherlock Holmes, sempre soube que o Moriarty era o grande inimigo do detetive, mas depois desse episódio ficou parecendo mais que ele era apenas uma peça de xadrez no jogo da Eurus.

Mycroft Holmes, sem dúvidas, se destacou muito mais nessa temporada. Para quem ficava só pelas sombras, agora ele entrou mais em cena e protagonizou momentos que foram importantes e necessários para levar Sherlock e Watson até a solução final do problema chamado Eurus. Graças a isso, foi dada a chance de ver outro personagem se destacando ainda mais na temporada, a Mrs. Hudson. Claro que ela por si só se destacou de diversas maneiras como a vez em que ela sequestrou o Sherlock e no momento em que ela estava faxinando a casa cantando The Number of the Beast do Iron Maiden, mas vê-la desafiando o Mycroft e tratando ele como se fosse uma pessoa qualquer foi maravilhoso. Enquanto outras pessoas se intimidariam pela pose e status de Mycroft Holmes, Mrs. Hudson se viu no direito até de fazer piada com a cara dele.

Essa temporada acabou com um clima de final de série. Parece que eles amarraram bem as pontas para o caso da série não retornar. Acredito que tanto Gatis quanto Moffat ainda tenham histórias para contar, mas o que deve complicar é a agenda dos atores, já que Benedict Cumberbatch e Martin Freeman estão bem cotados ultimamente. O que nos resta agora é sermos fortes e esperar por uma quinta temporada, nem que seja lá para 2020, não é?




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