Sherlock - The Lying Detective


Uma coisa que me encanta em Sherlock é que você já começa a assistir um episódio sabendo que a resposta do maior enigma da vez vai passar bem diante de seus olhos e você não vai enxergar. Em “The Lying Detective” eu vou confessar que me esforcei. O que era ilusão e o que era realidade? Quem estava dizendo a verdade e quem estava mentindo? Mas foi tudo como um grande show de mágica: fiquei tão focada no que eles queriam que eu visse, que nem me dei conta da maior revelação que estava prestes a ser feita e explodir nossas cabeças.

Ver o Sherlock tão debilitado, insano e lutando com quem costuma ser seu maior aliado (seu dom de dedução) foi de deixar o coração aflito. Nunca havíamos visto um Sherlock tão no fundo do poço, tão desleixado e tão sem vida, mas pudera, diante de todos os acontecimentos dessa quarta temporada. Por outro lado, Watson parecia estar totalmente anestesiado. O fato de ele simplesmente não aceitar a perda da esposa, não só pelo amor que ele sentia, como pela culpa de não ter sido honesto com ela, tirou o chão de baixo de seus pés e o deixou totalmente dormente emocionalmente. Na maioria das vezes vimos Martin Freeman fazendo um papel cômico, fosse em filmes, séries ou até mesmo como o próprio Watson, mas dessa vez ele começou o episódio com uma carga dramática incrível.

Por mais que esse episódio tivesse um serial killer a ser caçado, um dos pontos fortes foi ver até onde a amizade de Sherlock e Watson pode ir. No episódio passado vimos uma parte da missão que Mary deixou para o detetive, mas não imaginava que o pedido dela seria tão forte, intenso e que o Sherlock confiaria de olhos fechados nisso. Demoramos para entender o motivo pelo qual Sherlock Holmes estava decaindo daquele jeito e quando finalmente entendemos, junto com o Watson, creio que todos nós corremos junto com ele para salvá-lo. Mesmo depois de tudo o que os dois passaram e tendo em vista o quanto o Sherlock arriscou pelo Watson, isso foi mais do que uma prova do quanto ele confia, precisa e valoriza a amizade de Watson e vice-versa.

No momento de conciliação, quando Watson finalmente coloca as cartas na mesa, foi emocionante ver a confissão que ele fez para Mary e o fato do Sherlock ter notado que naquele momento Watson não dirigia a palavra a ele, e sim à falecida esposa. No outro dia, quando ambos saem pela porta do apartamento 221B e Sherlock coloca o chapéu e se despede de Mary foi como se ele reafirmasse que também havia visto a amiga naquela sala. Fora que ver os dois abraçados e Sherlock Holmes consolando o Watson foi lindo de se ver.

Por mais que todo o desenvolvimento da trama envolvendo Sherlock e Watson tenha tido seus momentos cômicos, como nas cenas em que o Sherlock estava absurdamente a frente das ações do parceiro, não há como negar que o ponto alto do humor foi a toda poderosa Mrs. Hudson. As cenas de perseguição em alta velocidade pelas ruas de Londres no melhor estilo Velozes e Furiosos em que todos pensavam que era o Sherlock indo atrás do Watson, era ninguém mais, ninguém menos que a adorável senhorinha, ex-esposa de um traficante de drogas, levando o detetive mais inteligente do mundo em seu porta malas. Sem dúvidas, essa foi a parte mais divertida de toda a história.

Agora quem merece parabéns mesmo é a atriz Sian Brooke: a maior revelação do episódio. E onde nós estávamos com a cabeça que não reparamos que a filha de Culverton Smith, a terapeuta do John e a mulher do ônibus eram a mesma pessoa?! Brooke deu um show no episódio e sua revelação final fez nossas cabeças explodirem com tantas referências, como quando ela está na pele da filha de Smith, com Sherlock nas ruas de Londres e diz “Big Brother is watching you.”, e você se dá conta de que ela não fazia referência ao reality show e nem ao modelo do helicóptero, ela realmente estava dizendo que o irmão mais velho (deles) estava observando os dois. E claro, a mais notável de todas quando ela revela que seu nome, Eurus, significa “The East Wind”, o mesmo nome da história que Mycroft contava para Sherlock quando criança.

É, “The East Wind” finalmente chegou. E pegou todos no final. Será?


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