Crítica: Capitão Fantástico


E o filme da vez é Capitão Fantástico! Imagino que muitos de vocês já tenham ouvido algo sobre esse filme e que provavelmente foi algo positivo. Bom, Capitão Fantástico é um filme de 2016, dirigido por Matt Ross e estrelado por Viggo Mortensen, que foi indicado ao Oscar na categoria melhor ator pela sua atuação nesse filme. Vale lembrar que Viggo Mortensen interpretou o Aragorn em O Senhor dos Anéis.

Bom, o filme conta a história de Ben, um pai que cria seus seis filhos longe do meio urbano e de uma maneira bastante diferente da que estamos acostumados. Ben, além de incentivar seus filhos a estudar e ler obras clássicas, os ensina a lutar, escalar, caçar e praticar exercícios, inclusive as crianças menores. Até que certo dia Ben recebe uma notícia que faz com que eles tenham que ir para a cidade e inevitavelmente encontrem seus parentes trazendo à tona alguns conflitos.

Devo confessar que a minha primeira impressão do filme não foi lá muito boa, já que o filme começa com Ben e seus filhos caçando um animal e arrancando o seu coração. Mas devo dizer que essa má impressão passa assim que começamos a ver a rotina nada usual da família. Quando eles acabam tendo que ir para a cidade, temos cenas muito divertidas e com uma trilha sonora bem animada.

Durante todo o filme temos diversas críticas à nossa maneira de viver, principalmente ao nosso consumismo desenfreado e ao poder das grandes corporações. Noam Chomsky é citado diversas vezes durante o filme, inclusive com eles comemorando o “Noam Chomsky’s Day” ao invés de comemorar o Natal (divertido, né?). Para quem não sabe, Noam Chomsky é um filósofo, ativista político e professor emérito do MIT (Massachusetts Institute of Technology). Ele é conhecido ainda por Requiem for the American Dream, um documentário de 2015 (disponível na Netflix), que apresenta suas reflexões sobre as origens e o fim do sonho americano.

Outro ponto que vale mencionar é que Ben não tem medo de ser sincero com as crianças, coisa que eu acho genial. Em certo momento sua filha mais nova pergunta o que é uma relação sexual e ele responde com a maior tranquilidade: “é quando um homem coloca seu pênis na vagina de uma mulher”. Sério, isso é genial! Ao invés de mentir para os seus filhos, ele os ensina de uma maneira muito natural. Isso não deveria ser algo estranho, deveria ser o normal a se fazer. Mas o mais legal dessa cena é a reação da menina, que faz uma cara de estranhamento e pergunta totalmente indignada: “por que um homem colocaria o pênis na vagina de uma mulher?”.

A parte em que Ben está na casa de sua irmã e a gente vê o contraste entre seus filhos e os filhos dela também é bastante interessante. E o pior é que sua irmã tenta questioná-lo sobre ele não matricular as crianças em uma escola. Nisso ele pergunta aos filhos dela se eles sabem o que é a Declaração dos Direitos e eles ficam totalmente perdidos para responder, enquanto sua filha que acabou de fazer 8 anos sabe até mesmo opinar sobre a Declaração dos Direitos.

Mas, mesmo com tudo isso, um grande problema é que as crianças não sabiam conversar direito com as outras pessoas, principalmente o seu filho mais velho. Foi aí que eu comecei a ver que nem tudo é perfeito. Por mais que a ideia de criar as crianças longe de todos os problemas da vida urbana fosse interessante, deixá-los isolados do mundo não era uma coisa tão boa assim. Eu, particularmente, não gostaria de ser criada daquela forma, isolada de tudo e de todos. Então chegou certo momento que eu comecei a ver também que Ben, que inicialmente foi apresentado como o cara de cabeça aberta, não era tão cabeça aberta assim, a ponto de prejudicar seus filhos devido a sua ideologia, ou até mesmo devido a sua teimosia.

Mas, enfim, é um filme que é bastante divertido, tendo cenas que te fazem refletir e cenas que te fazem rir até mesmo de coisas tristes. A cena mais linda do filme é quando eles cantam Sweet Child of Mine do Guns. Só essa cena já vale o filme. De qualquer forma, se vocês já assistiram, deixem nos comentários as suas opiniões e se ainda não assistiram, reservem duas horinhas do dia para essa história cativante. Eu prometo que vai valer a pena.



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