Crítica: A Bela e a Fera


Neste post vou fazer uma breve crítica ao filme A Bela e a Fera estreado no dia 16 de março de 2017. Bem, para aqueles que ainda não assistiram e têm interesse em assistir, podem ficar tranquilos que não darei nenhum spoiler. 

A Walt Disney Studios estreou mais um de seus clássicos contos de fada após 25 anos do lançamento do desenho animado com o mesmo título. A Bela e a Fera é um conto baseado na história original francesa La Belle et la Bête publicado por Gabrielle-Suzanne Barbot de Villeneuve em 1740. Na história original, o enredo se voltava para questões da época, na qual a França vivia em uma monarquia.

Em seu conto, Villeneuve apresenta as diferenças do ser humano vivendo em sociedade com o selvagem. Alguns autores enfatizam que a história original foi baseada em uma história real. Petrus Gonsalvus, que viveu no século XVI e se tornou o rei Henry II da França, casou-se com uma bela parisiense chamada Catharine. Na época, Petrus sofria de uma doença chamada Hypertrichosis, que causa um crescimento anormal de pêlos na face e em outras partes do corpo. Após a publicação do conto original, vários outros autores o reescreveram, porém é claro que a história teve que se reinventar constantemente a cada época em que era reescrita de acordo com as mudanças da sociedade.

Os contos de princesa, inevitavelmente, ao meu ver, colocam a mulher (donzela indefesa) numa posição inferior ao amado príncipe que vem salvá-la em um cavalo branco. Até há algumas décadas essa visão da posição social feminina era aceitável pela maioria da população, porém atualmente vivemos em uma sociedade em transição, em que a mulher conquista pouco a pouco seu espaço. É interessante ver que essas mudanças influenciaram o filme. A Bela, representada por Emma Watson, deixa agora de somente amar a leitura para também ser mais criativa e inventora, seguindo a profissão do pai, sendo, por essa razão, condenada pela sociedade. Segundo a própria Emma Watson, em uma entrevista ao Entertainment Weekly, foi criada uma história de fundo para a Bela e isso é bem detalhado em um cena em que ela desenvolve uma espécie de máquina de lavar e, enquanto as roupas vão sendo lavadas, ela fica lendo e também ensinando outra menina a ler.

Contudo, apesar dessas mudanças de atitude da Bela, o conto ainda mostra a jovem camponesa com fragilidade. O filme mostra duas personalidades femininas principais: Bela, doce, que se importa de início somente com seu pai e a outra figura feminina representada pelas três moças que se encantam com Gaston (figura viril, não muito inteligente, que se mostra o melhor nos afazeres característicos do cenário da época do conto).

Mas continuando a ler as entrelinhas, vale destacar que o conto da Disney representa uma metáfora sobre a AIDS, como afirma o diretor Bill Condon. A década de 90 foi marcada por uma epidemia de AIDs e, nessa época, o compositor do filme era portador do vírus quando lançaram o primeiro filme animado A Bela e a Fera abordando o tema de forma bem sutil. No filme atual foram incorporados também elementos sobre relacionamentos homoafetivos, que é mostrado de forma mais clara em algumas cenas. 

Falando agora sobre o outro lado Disney de ser, é claro que não poderiam faltar os musicais, que ficaram muito bons. Achei interessante como conseguiram fazer tais cenas muito bem e fiéis ao que estamos acostumados a ver nos filmes animados. Os atores iniciam a cena musical de forma que todos do cenário (vale notar que tem cenas em que os cenários contavam com muitos personagens) participam cantando e dançando e, após toda a interação, eles retornam às suas posições originais e continuam seus afazeres como se aquela cena nem tivesse existido.

Bem, apesar de esse não ser o meu tipo preferido de filmes, para quem gosta, acho que vale a pena comprar o ingresso e assisti-lo no cinema, mas esperem mais alguns dias porque as salas estavam muuuuuito lotadas. =D



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