Crítica: Fences (Um Limite Entre Nós)


Fences (Um limite entre nós) é um filme que tem uma carga dramática pesada e forte. Trata-se de um jogador de beisebol aposentado que, aparentemente, era muito bom no esporte e que sonhava em se tornar uma grande estrela, mas agora trabalha como coletor de lixo para sobreviver. Toda essa frustração, por não ter conquistado seu sonho, ele acaba passando para sua mulher e seus filhos.

Considerando a época (o filme se passa em 1950) e formas de criação, talvez fossem justificáveis algumas atitudes de Troy, personagem de Denzel Washington. Mas é revoltante e muito triste ver como as coisas costumavam ser e se dar conta de que em muitos lugares a vida de muitas pessoas ainda são assim. Troy colocava dinheiro dentro de casa, alimentava sua família e desejava uma vida melhor para os filhos, mas ele demonstrava isso de uma maneira muito rude.

Para assistir Fences, você tem que ter em mente que não se trata daquele filme que te mostra a mudança de um personagem que vai te inspirar a mudar também. É um filme sobre realidade e nem sempre na vida real encontramos soluções fáceis para nossos problemas. Ainda assim, há algo que você pode levar desse filme, como, por exemplo, o ensinamento sobre como ser forte e viver com todas as opções que a vida te dá, sejam elas boas ou ruins.

Viola Davis disse em um de seus discursos que esse filme é sobre palavras e ela não poderia ter descrito melhor. O filme inteiro se passa basicamente dentro de uma casa, mas os monólogos estão longes de serem entediantes e os diálogos vão te prender e te fazer refletir. Viola foi a única do filme a ser premiada como melhor atriz, mas todo o elenco foi fantástico: Jovan Adepo (Cory), Russell Hornsby (Lyons) e Mykelti Williamson (Gabriel) tiveram seus momentos de destaque e não decepcionaram, agora Denzel Washington... Nunca pensei que odiaria tanto esse ator incrível por conta de um personagem desses. E eu sei que gostei do trabalho de algum ator quando durante aquele filme eu não consigo diferenciar personagem da pessoa que está interpretando.

Troy Maxson era um homem que tentava dar o seu melhor para a sua família, mas tentava do jeito errado e que ele acreditava ser certo. Era difícil de engolir as cenas em que ele dava lições de moral e tentava se explicar porque pelo menos na minha percepção pessoal ele estava tão errado... Como uma pessoa pode estar tão errada e ainda achar que está certa? Por mais que Viola tenha se destacado pela sua interpretação, o personagem de Denzel era aquele que chamava mais atenção e que valia a pena refletir sobre o que aquele homem passava para nós.

O caso é que existem muitos Troys por aí ainda e temos que ser muito Rose para conseguirmos lidar com nossas vidas porque é certo que encontraremos um tipo desse pelo menos uma vez em toda a nossa existência. Para mim, a grande lição do filme foi: tente enxergar coisas boas mesmo onde parece só ter coisas ruins. Foi o que Rose fez e o que permitiu que tal personagem fosse tão forte.



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