Crítica: La La Land


Hoje vamos falar sobre um dos queridinhos do Oscar 2017. Isso mesmo, o famigerado La La Land. O título é uma referência à Los Angeles (cidade na qual o filme é ambientado) e ao termo lalaland, que significa estar fora da realidade. O filme é um musical estrelado por Ryan Gosling e Emma Stone e dirigido por Damien Chazelle (mesmo diretor de Whiplash: Em Busca da Perfeição – com cinco indicações ao Oscar 2015, sendo vencedor em três categorias – e roteirista de Truque de Mestre).

Primeiro, vale lembrar que, apesar de bem visto pela crítica (e talvez por causa disso), esse é um dos filmes com mais haters do momento. O que mais se vê por aí são comentários bastante negativos de pessoas que nem mesmo assistiram ao filme. Mas, nesse texto, vamos deixar essa polêmica toda de lado.

O longa foi um grande destaque do Globo de Ouro de 2017, obtendo o recorde de mais prêmios conquistados, com sete vitórias de sete indicações. Foi destaque também no BAFTA (British Academy of Film and Television Arts), maior premiação do cinema britânico, sendo vencedor em cinco categorias: melhor filme, melhor diretor, melhor atriz, melhor fotografia e melhor trilha sonora original.

Vale lembrar ainda que La La Land quase levou o Oscar de melhor filme. Imagino que vocês tenham acompanhado a “pequena” confusão que aconteceu na premiação desse ano, em que La La Land foi anunciado como vencedor na categoria melhor filme, enquanto, na verdade, o vencedor era Moonlight: Sob a Luz do Luar. Mas toda essa história não tira o mérito do filme, que teve 14 indicações ao Oscar, em 13 categorias, mesmo número de indicações do clássico Titanic, de 1997, sendo vencedor em 6 delas.

Mas vamos à história: Sebastian, um pianista de Jazz, ao chegar a Los Angeles conhece a aspirante a atriz, Mia, e depois de alguns pequenos desastres, encontros e desencontros, os dois se apaixonam e tentam fazer com que o relacionamento entre eles dê certo ao mesmo tempo em que ambos buscam melhores oportunidades em suas carreiras profissionais.

Bom, musical não está entre os meus gêneros favoritos, muito pelo contrário. O filme começa com as pessoas no trânsito, em um congestionamento e, de repente, todas saem de seus respectivos carros e começam a cantar e dançar. Isso não faz o menor sentido para mim. Eu sei que é coisa de musical, mas não entra na minha cabeça a possibilidade desse tipo de cena em que está acontecendo algo corriqueiro e, do nada, todo mundo começa a dançar e cantar. Dessa forma, logo no início, já senti uma enorme vontade de parar de assistir. Mas eu resisti e continuei. Com isso, quando começa a ser contada a história de Mia e Sebastian, o filme se torna mais interessante e, por fim, eu acabei me simpatizando bastante com os dois personagens.

No início, Mia, apesar de otimista, tenta várias vezes o papel de atriz e é sempre desvalorizada, enquanto Sebastian é todo mal-humorado e está à procura de um emprego melhor. Sebastian se sente frustrado com o fato de, segundo ele, o Jazz estar morrendo, e seu sonho é abrir o seu próprio clube de Jazz, enquanto Mia trabalha em uma cafeteria, mas deseja ser atriz. É interessante ver a evolução dos personagens e sua busca por uma ascensão em suas carreiras profissionais. Além da atuação, tanto de Ryan Gosling, quanto de Emma Stone (ambos brilhantes nesse quesito), outra coisa que merece destaque foi o final, que conseguiu surpreender e fugir dos clichês hollywoodianos que estamos acostumados. Vale lembrar ainda que o filme conta com a participação do cantor John Legend, que também canta algumas músicas da trilha sonora.

O filme é dividido em estações (outono, inverno, primavera e verão) e passa um ar todo vintage, com uma paleta de cores com tons fortes que faz lembrar filmes mais antigos e que tem ainda a intenção de melhor evidenciar o emocional dos personagens, com cenas, na maioria das vezes, bastante coloridas, com destaque às cores azul, verde, vermelho e amarelo.

Além dos cenários e figurinos, temos também algumas músicas dos anos 80, como Take on Me do A-ha e I Ran, como parte da trilha sonora, reforçando ainda mais essa cara de filme antigo. Ambas aparecem em ótimas cenas do longa, encaixando perfeitamente e dando um ar cômico à frustação de Sebastian. Tainted Love do Soft Cell também aparece na trilha sonora. Apesar de eu preferir a versão do Marilyn Manson, a original é, sem dúvidas, mais adequada ao filme. E a música City of Stars, que Sebastian e Mia cantam em determinado momento, ficou maravilhosa, fazendo jus ao Oscar de melhor canção original e melhor trilha sonora que o filme levou.

Enfim, imagino que eu não seja a única que tem pé atrás com musical, mas vale a pena assistir para tentar entender o porquê de o filme ser o queridinho do ano para a academia. Se vocês já assistiram, deixem suas impressões nos comentários e, se ainda não assistiram, deem uma chance ao filme e nos contem o que acharam.



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