Crítica: Zootopia


Bom, dessa vez vamos falar sobre uma animação incrível: Zootopia. Essa é uma animação da Disney estreada em 2016, em que a direção ficou por conta de Rich Moore (também diretor de Detona Ralph) e Byron Howard (diretor de Enrolados). O filme foi o vencedor do Oscar 2017 na categoria melhor filme de animação.

Zootopia possui um contexto bastante atual. Tecnologias, fast-foods, publicidades, trânsitos, trapaças, abusos por parte de policiais, ineficiência do setor público etc. são algumas das características que fazem parte de todo esse contexto. Uma sociedade onde o “mais fraco” é sempre tratado de forma diferente e, principalmente, onde as minorias ainda têm que lidar com diversas formas de preconceito, desde as mais sutis até as mais ofensivas. Em tempos de Trumps, Bolsonaros e extremistas religiosos, é uma animação totalmente necessária e que, com certeza, nos faz pensar. E, apesar de serem temas sérios e, às vezes, até mesmo pesados, tudo isso é tratado com muita leveza e muito bom humor.

Na trama, todos os animais vivem pacificamente, havendo harmonia entre predadores e presas. Eles não têm mais aquele comportamento animalesco ancestral, pois evoluíram e, através da lei e da moral, deixaram para trás seus instintos selvagens, não se orgulhando de seu passado. Tanto que o problema da trama começa exatamente quando alguns dos animais voltam a exibir esse comportamento selvagem.

O filme já começa cativante, com a coelha Judy Hopps querendo ser policial. Aparentemente não há problema algum, mas, na prática, os policiais são geralmente os animais maiores e mais fortes. Judy vai para Zootopia, uma metrópole, onde (teoricamente) você pode ser o que quiser e, como foi dito, onde todos os animais vivem em paz e harmonia. Zootopia representa as grandes cidades, onde há mais respeito às diversidades e mais oportunidades para as pessoas. Porém, ao chegar lá, Judy vê que as coisas não eram tão perfeitas como ela imaginava.

Judy representa a mulher na sociedade. Não é fácil exercer uma profissão em que a maioria de seus colegas de trabalho são homens, você é vista como frágil e dócil e, por isso, não acreditam que você tenha capacidade para exercer sua tarefa. Essa é exatamente a situação de Judy, mesmo ela já tendo passado por todos os testes para entrar para a polícia. O tempo todo ela tem que ficar provando que é capaz e que merece aquele cargo. Até mesmo seus pais reproduzem esse preconceito implorando para que ela não seja policial, segundo eles, devido aos riscos da carreira. Mas é muito bom ver que, apesar das dificuldades, Judy sabe lidar muito bem com o preconceito e tem muita força de vontade para continuar.

Outra personagem interessante é a raposa, Nick Wilde, que desde criança é visto como o malandro ou aquele em quem não se deve confiar. Com o tempo, ele acaba se tornando exatamente aquilo que desde cedo lhe impuseram, mal tendo a oportunidade de construir sua própria identidade.

Uma crítica que podemos perceber é que o nosso serviço público e a burocracia de diversos setores (no geral, não somente do público) podem ser representados pelo departamento de trânsito do filme. Esse tipo de crítica já é até um pouco clichê atualmente, mas ainda parece ser necessária. E adivinhem qual animal trabalha nesse departamento? Não é tão difícil. Se o seu chute foi o bicho preguiça, você acertou em cheio. Apesar das cenas hilárias com o nosso simpático bicho preguiça, é perceptível a crítica presente no enredo.

Outro ponto que vale mencionar são as referências e easter eggs que aparecem durante o longa. Em determinado momento são mostrados alguns DVD’s em uma barraquinha e todos eles são trocadilhos com outras animações da Disney como Operação Big Hero, Enrolados, Detona Ralph, Moana, Frozen etc., com direito a nomes adaptados ao universo de Zootopia, é claro. Big Hero, por exemplo, virou Pig Hero, Moana virou Meowana e Wreck-It Ralph virou Wreck-It Rhino. Outra referência é que no ipod de Judy têm bandas como Fur Fighters e The Beagles.

O nome da nossa coelhinha policial também poderia ser um easter egg. Judy Hoffs é o nome de uma policial na série “21 Jump Street” (Anjos da Lei). Porém, o diretor, Byron Howard, afirmou que o nome não foi intencional e não passou de uma coincidência hilária. E, por fim, outras duas referências épicas que não poderiam deixar de ser mencionadas: a primeira é uma clara referência ao Poderoso Chefão com o personagem Mr. Big, um mafioso que tem grande respeito pela data de casamento de sua filha e ainda com detalhes como a rosa em seu paletó e uma maneira peculiar de falar; a segunda é uma referência à Breaking Bad através de uma cena em que há uma ovelha no laboratório químico (ou nesse caso seria melhor Breaking Baaaad?).

Por fim, vale lembrar que a animação ainda contou com a voz da poderosa Shakira, interpretando a personagem Gazelle. A dublagem brasileira também não ficou para trás, contando com as vozes de Monica Iozzi e Rodrigo Lombardi. Enfim, se vocês já assistiram, deixem nos comentários as suas impressões. E, se ainda não assistiram, corram assistir, pois vale muito a pena.



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