Crítica: 2 Coelhos


Com cara de blockbuster americano e apresentando um roteiro propositalmente confuso, 2 Coelhos (2012) é uma ótima opção de ação nacional para quem gosta de cinema e um excelente passatempo para quem não assiste a tantos filmes assim.

No longa acompanhamos a história de Edgar (Fernando Alves Pinto). Recém-chegado de uma temporada em Miami, o rapaz parece não ter muita noção do que faz ou dos rumos que sua vida está tomando, entretanto, ele tem um plano bastante intrincado que põe em rota de colisão políticos corruptos e criminosos agraciados pela lei, fazendo justiça ao matar dois coelhos com uma cajadada só.

Muita coisa chama a atenção na obra. A começar pela cena de abertura que com sua quebra de expectativa nos apresenta ao tom não-linear da narrativa, além de que já aqui vemos indícios de que a trilha sonora é um dos grandes aspectos do filme.

Desde os primeiros minutos o longa já mostra ao que veio. A montagem brinca com o expectador, ora assumindo características de um documentário, ora com flashbacks que se apegam a fatos aparentemente desimportantes. Esses e outros recursos narrativos bastante tarantinescos, como as inúmeras referências à cultura pop, fazem a direção de Afonso Poyart ser primorosa.

Ainda sobre a direção, as metáforas escolhidas por Poyart vão muito além dos planos fechados que mostram o quão tensos estão os personagens e o título do filme pode significar muita coisa dentro da obra, além da cena magnífica que mostra Julia, interpretada de forma extraordinária por Alessandra Negrini, matando coelhos demônios durante um ataque de pânico. Por falar nisso, o diretor soube mesclar bem as animações e os vários efeitos visuais em 2D com os atores, fazendo tudo em tela ficar muito orgânico. 

Como já disse, o filme tem uma narrativa não-linear, o que funciona muito bem até o final do terceiro ato, onde a não-linearidade assume a forma de simples flashbacks e entrega informações cruciais que parecem inseridos apenas para a trama fazer sentido. Isso prejudica a verossimilhança e deixa uma sensação ambígua, já que a linguagem continua coerente com o resto da obra.

Afonso Poyart provou seu valor com este filme e podemos ver mais de seu trabalho nos excelentes Solace (2015, com Anthony Hopkins no elenco) e Mais Forte que o Mundo (2016, que conta a história do lutador de MMA José Aldo). O diretor, desde 2 Coelhos, vem inovando o cinema brasileiro de ação e mostrando que não é apenas Hollywood que sabe fazer um bom filme de tiro, porrada e bomba.



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