Crítica: Dear White People (Sem spoilers)


Confesso que a primeira vez que assisti ao trailer de Dear White People (ou “Cara Gente Branca”) alguma coisa me incomodou. Vi algumas pessoas defendendo a luta dos negros e outras os acusavam de “racismo reverso”, mas eu só ficava imaginando se eu realmente deveria escolher um lado quando, na verdade, estava achando as duas opções extremistas demais.

A sinopse diz que tudo começa depois que uma revista de humor da universidade Ivy League Winchester organiza uma festa de Halloween com o tema “blackface” e Sam, na série interpretada por Logan Browning, não fica calada e expõe o racismo e o privilégio branco que existe naquele campus, usando um programa na rádio da universidade, o Dear White People, para tentar conscientizar os outros alunos e até mesmo o corpo docente.

Depois de assistir à série, cheguei a uma certa conclusão: ninguém deveria julgá-la só pelo trailer ou pelo que a sinopse diz. Não precisa nem chegar ao final da temporada para se dar conta de que há muito mais história do que uma rixa entre estudantes negros e estudantes brancos sobre uma festa com uma temática racista. A forma como a história é contada, com cada episódio tendo um foco principal em determinados personagens, nos permitiu aprofundar ainda mais em suas histórias e ver tudo do ponto de vista de cada um.

Apesar de tratar de um assunto muito sério e mostrar diversas cenas sobre a triste realidade do quanto pode ser difícil ser negro, a série usou um humor satírico para abordar diversos assuntos. Fizeram ser divertido todo o processo do Lionel se descobrindo homossexual, todas as reclamações das minorias do campus e até mesmo a rixa entre “white people” e “black people” teve suas piadinhas.

Acredito que muita gente vai assistir Dear White People da mesma forma que assistiram 13 Reasons Why: vão procurar um lado que seja 100% certo para escolher e dizer que é a atitude correta. Mas se tem uma coisa que ambas as séries mostram e pouca gente conseguiu enxergar é que ninguém ali está 100% certo. Todo mundo acertou em alguma coisa, errou em alguma coisa e sofreu por algum motivo, exatamente como todo ser humano é. O que ambas as séries nos mostram são atitudes e consequências que devemos levar para nossas vidas e avaliar o que estamos fazendo de errado, o que estamos fazendo certo e com isso nos tornar pessoas melhores. 

Espero que Dear White People seja assistida por pessoas que entendam tal diferença e que ainda consigam se divertir sem abstrair lições importantes que ela passa. A série chegou na Netflix no dia 28 de abril e conta com 10 episódios de 25-30 minutos. E se alguém se interessar, a série foi inspirada em um filme de 2014, também intitulada “Dear White People” com Tessa Thompson (“Creed” e “Thor: Ragnarok”) e Tyler James Williams (“Todo Mundo Odeia O Chris” e “Criminal Minds: Beyond Borders”) no elenco.



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