Doctor Who: Smile


Segundo episódio da décima temporada de Doctor Who e a Bill está nos saindo a companion mais gente como a gente dessa era New Who. Pela primeira vez temos uma companion mais antenada, moderna e até meio nerd, bem parecida com a maioria do público whovian. Talvez seja por isso que ela tem feito as melhores perguntas de todos os tempos. Tudo bem que ela demorou para dizer a famosa frase “é maior por dentro do que por fora!”, mas não dá para negar que em compensação ela vem com perguntas interessantíssimas: Quanto custou a TARDIS? Por que os bancos são tão longe do painel? Como a sigla TARDIS faz sentido se ela só funciona em inglês e foi criada em outro planeta? (Será que inglês é uma língua tão universal assim?) São aqueles tipos de perguntas que a gente sempre quis fazer e outras que nunca havíamos pensado e acabamos tendo a reação “é, verdade, Doctor... Conta pra gente sobre isso!”.

Outras companions já haviam perguntado sobre o motivo pelo qual o Doctor se intromete em tudo e tem esse senso de obrigação em ajudar sempre que pode (de uma maneira mais sutil do que essa, inclusive), mas a forma como a Bill questionou e como ela mesma entendeu foi muito interessante. “Por que não chamar o reforço, a polícia?” foi uma pergunta lógica, mas a cena se encaixou perfeitamente fazendo aquele momento, na porta da TARDIS, em que ela lê a mensagem na porta e se dá conta de que, claro, o Doctor é a “polícia” e o reforço. Depois de descobrir a primeira regra de todas (O Doctor mente) fica sempre tão divertido quando vemos ele se fazendo de tonto, como o momento em que ele diz que não gosta da TARDIS nesse formato e que não tem nada a ver ser uma cabine de polícia. Acho que a Bill já está aprendendo sozinha sobre essa primeira regra.

Esse episódio fez uma pequena homenagem à língua mais universal da atualidade, a língua dos emojis, se referindo, é claro, a toda essa era digital. Em “Smile”, destacaram bem o que acontece diariamente com as pessoas adeptas às redes sociais, aquela necessidade em mostrar uma felicidade ou satisfação falsa, muitas vezes realmente sendo representadas pelos emojis mais alegres.

Isso foi muito bem retratado nas cenas iniciais onde uma mulher dava a notícia sobre várias mortes a outra mulher sem tirar o sorriso do rosto e querendo que ela sorrisse também, pois caso contrário, os robozinhos entendiam a tristeza com insatisfação e eliminava tal sentimento ruim. Isso acabou rendendo uma cena hilária entre Bill e Doctor, onde ambos deram vida ao meme “estou rindo, mas é de nervouso”. Quem viu o 12th chegando todo carrancudo, jamais imaginaria um 12th sorridente daquele jeito, mesmo que fosse para salvar sua vida. Devo aproveitar e acrescentar que o Doctor está parecendo muito mais leve nessa temporada, apesar das perdas recentes. Acho que ele já passou daquele momento de luto e agora está tentando seguir em frente.

Apesar de ter achado os robozinhos meio bizarros, quando os humanos começaram a aparecer e aquele que tomou a frente da “rebelião” começou a agir descontroladamente sem prestar atenção em uma vírgula do que o Doctor dizia, eu já estava torcendo para os robozinhos matarem ele (simplesmente não tenho paciência para quem não dá ouvidos ao Doctor). Isso rendeu uma outra cena que reflete bem a nossa realidade também, o fato do garotinho ter entendido tudo e aceitado aquela nova realidade imediatamente. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, as crianças são muito mais simples e compreensivas do que os adultos. Deveríamos aprender com elas, inclusive.

E tinha como o episódio terminar com mais cara de Doctor do que com ele voltando para um lugar e indo parar em outro totalmente diferente? Acaba ano e entra ano e ele ainda não tem controle sobre a TARDIS...



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