American Gods: Git Gone


Em sua quarta semana American Gods chega com um episódio controverso. Muitos adoraram e muitos odiaram. Pessoas de todas as partes do mundo escolheram seu lado. E como não era de se admirar, assim como quase tudo que gera polêmica hoje em dia na internet, as duas visões são bem extremas. Apesar disso, ambos os grupos têm razão em alguns pontos.

A história deste quarto episódio, Git Gone, explora a personagem interpretada por Emily Browning, Laura Moon, e a trama vai desde antes de ela conhecer Shadow (Ricky Whittle) até o final do episódio anterior.

A primeira coisa a se observar é a brincadeira que os produtores fazem com o público. Depois de construir solidamente durante seus três primeiros episódios uma estrutura e um estilo bastante peculiares, a série quebra essa ideia e nos deixa sem saber o que fazer durante todo o capítulo. Mesmo depois de se passarem os primeiros vinte minutos eu ainda me perguntava se aquela era a abertura.

Ainda nesse aspecto, o episódio tem uma execução bem diferente. Acompanhamos anos da vida de Laura e seu dia-a-dia normal e tedioso de forma bem natural, sem letreiros desnecessários informando passagens de tempo. American Gods é uma série que não subestima seu telespectador.

O enredo não é surpreendente ou instigante dessa vez. Tendo Laura como foco, o episódio se preocupa em aprofundar a personagem e a relação dela com seu marido/viúvo e a história da série não avança cronologicamente. Isso pode ser considerado ruim ao analisarmos a impressão que causa um episódio desses (um grande flashback), de que o seriado precisa recorrer a esse tipo de recurso para alcançar a marca dos 8 episódios encomendados pelo canal. Entretanto, Git Gone é bom. Muito em parte por conta da atuação de Emily Browning.

A atriz, que para quem não lembra, é a protagonista de Sucker Punch e a Violet Boudelaire no filme de Desventuras em Série com o Jim Carrey, dá um show de interpretação. Apesar de o roteiro não ajudar na construção de uma empatia com Laura Moon, Emily faz com que nos importemos com a protagonista e consegue passar incrivelmente bem a sensação de apatia da personagem e o desconforto que alguém deve sentir ao ressuscitar.

E mesmo parecendo não mostrar nada de novo, Git Gone nos respondeu algumas perguntas, apesar de ter feito outras novas. Há também momentos pontuais do episódio que são geniais, como as várias sátiras que fazem com os zumbis, tão presentes hoje em dia na cultura pop, e uma violência cartunesca digna de um trabalho do Tarantino.

Se por um lado o episódio está estagnado na linha temporal de American Gods, por outro ele mostra a versatilidade da série e sua capacidade de se renovar. Assistirei aos próximos episódios sem a ousadia de pressupor coisa alguma sobre eles. Agora sei que posso ser surpreendido a qualquer momento.



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