American Gods: The Secret of Spoons


Depois de impactar a todos com tanto sangue e violência, American Gods, em seu segundo episódio, tira o pé do acelerador. A história continua um pouco mais lentamente, aprofundando o protagonista. Para quem pensa que isso poderia afetar a série negativamente, está completamente enganado. 

Neste segundo episódio, The Secret of Spoons, temos Shadow Moon (Ricky Whittle) e Wedsnesday (Ian McShane) começando sua viagem pelos Estados Unidos em busca de apoio para o misterioso plano do Senhor Quarta-Feira. Novamente temos aqui excelentes apresentações de personagens, mas apenas com um detalhe diferente. Em vez de agirem em prol do ritmo da trama, agora eles falam. E falam bonito. 

A introdução do episódio acontece num navio holandês que leva negros para servirem de escravos nos EUA no século XVII. Na embarcação, um africano começa a rezar para seu deus e eis que este surge, proferindo um discurso de cunho racial muito forte ao mostrar tudo de ruim que aqueles escravos e seus descendentes vão passar na América, o que nos deixa bem desconfortáveis. Muito em parte não apenas pela fala, mas pela atuação de Orlando James como Anansi ou Mr. Nancy, como foi creditado. 

Outros novos personagens são adicionados à história. Czernobog, interpretado por Peter Stormare, que está muito à vontade no papel, dá um show de interpretação. E a belíssima Gillian Anderson como Mídia, uma das deusas desse novo panteão que dá nome à série e que protagoniza um dos momentos mais sufocantes desse capítulo. 

A fotografia continua impecável, mas dessa vez fazendo seu papel convencional. A cidade onde Laura morou é sombria, escura e fria. As únicas exceções são as boas lembranças que Shadow Moon tem da falecida esposa. Neste segundo episódio temos um jogo de câmeras diferente do primeiro. Enquadramentos incomuns são um tempero especial que dão um tom mais artístico às cenas.

E é neste episódio que temos a consolidação de Shadow Moon como um protagonista que tem algo em comum conosco. Assim como nós, ele não sabe de nada do que está acontecendo. Como televisores conseguem falar? Como algumas pessoas podem ler seu destino? Como martelos sangram? Ele é a gente dentro da série. E a forma como isso é trabalhado não é nem um pouco clichê.

Com diálogos e atuações espetaculares, American Gods mantém a qualidade nivelando por cima com seus dois primeiros episódios. E que venham os episódios seguintes, até porque o gancho no final de The Secret of Spoons é de matar qualquer um de ansiedade.



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