Crítica: Castelo de Areia


Quando os produtores entregaram o trailer de um filme de guerra, mas que não é sobre a guerra e tenta ser o mais hollywoodiano possível (pelo menos no trailer), sentimos aquele sentimento de traição, aquele de quando compramos um produto e o mesmo é diferente do que esperávamos. Faltou transparência na divulgação. Castelo de Areia nem de longe é um filme ruim, tem seus prós e contras, mas a insatisfação ao assistir a algo diferente do que imaginamos é sempre maior.

Desde o início foi dito que Castelo de Areia era um filme sobre a guerra, mas não de guerra. Um filme que focava mais na relação entre pessoas, soldados e o trauma da guerra. Quando o filme começa com Matt Ocre (Nicholas Hoult) se “acidentando” propositalmente para não ter que cumprir seu papel como soldado, temos em vista logo de cara o que o filme quer passar. Tendo este início empolgante em vista, o filme demora a pegar ritmo, ficando cansativo em alguns momentos.

Castelo de Areia mostra aqui seu elenco acima da média, com Logan Marshall-Green representando seu bom nome com sua atuação espetacular e Henry Cavill mostrando a que veio com um trabalho reconhecivelmente melhor do que seus últimos. Muito se deve ao ator fugir do padrão super heróico que o é imposto nos cinemas ultimamente, apesar de sua presença ser sempre forte devido a seus músculos exagerados e a cara de galã que Hollywood adora. Não podemos esquecer o excelentíssimo Nicholas Hoult que, como sempre, dá um show e consegue passar exatamente o que foi pensado para seu personagem. Suas dores e alegrias são bem transmitidas ao público, fazendo com que entendamos suas decisões, sejam elas as boas ou as ruins. Temos alguns problemas também com o péssimo aproveitamento de personagens secundários e de atores de renome, o que é o caso do excelentíssimo Tommy Flanagan. Com exceção de Hoult e Marshal-Green, foi difícil se identificar com outros personagens.

O destaque fica pela relação em que os soldados têm com os cidadãos do local da missão quando ambos têm que trabalhar juntos e o filme se desenrola a partir disso. O realismo em que é representada tal relação nos dá aquele ar de assistirmos a um Boyhood da guerra. Referência também que podemos dar ao fato de não termos grandes momentos de clímax,. As coisas só acontecem, bem como acontecem na vida real. No ato final de Castelo de Areia temos a comum tentativa do final hollywoodiano que estamos acostumados, algo que não acrescenta ao filme em absolutamente nada, inclusive fugindo da premissa realista inicial.

Se você vai assistir a Castelo de Areia procurando um clássico com tiros, sangue e patriotismo para todo lado, pare por aí. Castelo de Areia não entrega menos do que promete, mas também não entrega mais. É apenas um título regular da Netflix dirigido pelo brasileiro Fernando Coimbra (Lobo Atrás da Porta) e com um elenco de peso, mesmo que mal aproveitado.



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