Crítica: The Guardians


Depois que a Marvel e a Fox definiram que super-heróis num universo compartilhado eram a bola da vez no cinema, todos correram atrás para tentar abocanhar um pedaço desse bolo. A Distinta Concorrência era o mais óbvio, mas também tivemos as bizarras propostas da Universal e da Legendary de fazer o mesmo com seus monstros e até o recente – embora há muito especulado – Shayamalanverso entra nessa conta. Com todo mundo indo na mesma direção, é natural que obras com super-heróis despontem esporadicamente ao redor do globo, mas The Guardians gerou um burburinho mundial por ter algo que nenhum outro teve antes dele. É um filme russo.

A trama gira em torno de um grupo de pessoas que passou por experiências genéticas terríveis para formarem um esquadrão de elite com super poderes na antiga União Soviética. Depois do fim do projeto todos fugiram e se esconderam, mas quando o cientista que os torturou volta à tona eles têm de se reunir novamente para combater essa grande ameaça.

Sem nenhum rodeio, o filme é muito ruim. O roteiro falha em quase todos os aspectos que poderia falhar e desperdiça uma oportunidade ótima de renovar o gênero.

Os diálogos, quando não soam inverossímeis, são expositivos. Diversas vezes a direção opta por falar e não mostrar. Isso deixa o filme muito chato, uma vez que o cinema é uma mídia essencialmente visual.

Os personagens são mais uma coisa ruim do filme. A dinâmica do grupo é muito mal trabalhada e nenhum deles aparenta ter uma motivação palpável para fazerem o que fazem. Num primeiro momento, o roteiro os deixa bastante superficiais. Isso é corrigido depois, mas o filme continua errando na forma como o faz. Uma das piores introduções de background de personagens que já vi.

E não para por aí. O diretor procura inovar na estrutura, mas a única coisa que consegue é ser confuso. Com um primeiro ato de cinco minutos e uma série de coincidências que tentam corrigir os erros de continuidade e os furos de roteiro, o filme se perde ao dar soluções preguiçosas às mais diversas situações.

Entretanto, para quem não se apega a esse tipo de coisa, o filme pode até ser divertido. Apesar dos efeitos especiais não serem tão bons, não há como não despertar a criança de 10 anos dentro de você ao ver um urso matando capangas com uma metralhadora. E os poderes de supervelocidade de um dos personagens são as únicas vezes em que o filme deixa de se levar a sério e se entrega à galhofa, que, na minha opinião, deveria ser o tom da obra.

The Guardians não é um daqueles filmes que de tão ruins se tornam bons, mas é uma visão interessante a que os realizadores têm dos blockbusters americanos de super-heróis. Um dos piores roteiros do gênero, mas vale a pena pela curiosidade.



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