Crítica: T2 Trainspotting


Vinte e um anos depois do revolucionário Trainspotting, Danny Boyle nos traz uma continuação diferente das que estamos acostumados a ver. T2 não é apenas um apelo comercial, é uma sequência que faz jus a seu antecessor, embora com algumas ressalvas. 

A trama gira em torno do reencontro dos amigos de Edimburgo, 20 anos depois dos acontecimentos do primeiro filme, quando Renton (Ewan McGregor) volta para sua terra natal e tenta refazer os laços rompidos duas décadas antes. 

T2 continua o trabalho do primeiro filme de forma admirável. O diretor continua com os mesmos maneirismos visuais e metafóricos que tanto engrandeceram a película de 1996 com alguns novos recursos, como o uso eventual de câmeras de segurança. Entretanto, Danny Boyle não chega a ser marcante com tais elementos como fora na década de 90 e esse não é o seu propósito. As interferências em tela servem como uma brincadeira da direção e em um menor grau como mais um elemento narrativo.

E por falar nisso, a trilha sonora é espetacular. As músicas são muito boas e encaixam perfeitamente em cada cena, ajudando a contar a história, já que quase todas são diegéticas. Uma das melhores trilhas sonoras não originais que já ouvi. 

O ritmo do filme é acelerado. Cada um dos personagens principais tem seu próprio núcleo antes de se encontrarem e Danny Boyle consegue trabalhar muito bem com todas essas perspectivas diferentes, não deixando a peteca cair em nenhum momento. As únicas vezes em que achamos que isso vai acontecer são nas infindáveis referências ao filme original, que não acrescentam muita coisa à continuação, chegando a ser saudosista até demais. Isso chega a ser um problema no momento em que temos pessoas que não assistiram à Trainspotting e não são impactadas pelo efeito de um personagem repetir uma frase dita há 20 anos, por exemplo. Apesar disso, como dito antes, essas inúmeras referências não afetam o ritmo da obra.

T2: Trainspotting, assim como o primeiro, é um filme que traz uma carga de filosofia contemporânea muito forte. Enquanto o original questiona a perspectiva de um futuro insignificante, T2 reflete sobre o tempo que já passou, sobre Memória e sobre como nós envelhecemos. Uma discussão extremamente válida, tendo em vista, principalmente, a discussão que Trainspotting suscitava já em 1996. Infelizmente, apesar de ser um excelente filme e muito competente em apresentar sua tese, T2: Trainspotting, não chega nem perto de revolucionar o pensamento crítico no cinema como seu antecessor.



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