Crítica: Trainspotting – Sem Limites


Mesmo se tornando conhecido internacionalmente apenas em 2008 com Quem Quer Ser um Milionário?, Danny Boyle já dava indícios desde o início da carreira de seu talento na direção ao explorar as veias psicológicas de seus personagens. E Trainspontting – Sem Limites (1996), seu segundo filme, é um ótimo exemplo disso.

No longa acompanhamos um grupo de jovens escoceses viciados em heroína e a história é contada a partir do ponto de vista de um deles, Renton (Ewan McGregor), que tenta, a muito contragosto, largar o vício.

O filme tem uma direção impecável, que se utiliza de metáforas visuais o tempo todo, chegando às raias do surrealismo. Danny Boyle consegue fazer com que entremos dentro da cabeça de Renton para nos fazer vivenciar tudo o que ele vivencia na trama, nos deixando em dúvida sobre o que está acontecendo realmente. Além disso, a fotografia, junto da direção de arte, fazem um excelente trabalho ao passar a ideia de um subúrbio sujo, feio e violento que não está apenas do lado de fora dos personagens. Tudo isso enche o filme de significados e nos apresenta a várias camadas de interpretação.

E não apenas tecnicamente falando. Achar que o filme conta apenas a história de um jovem que quer deixar as drogas é muita ingenuidade. Apesar de toda a qualidade na direção e nas atuações, o que mais faz de Traispontting uma obra grandiosa é o seu enredo.

Assim como Jonh Hughes conseguiu retratar o sonho adolescente na década de 80 com os maravilhosos Clube dos Cinco, Curtindo a Vida Adoidado e Gatinhas e Gatões, Danny Boyle consegue, na metade da década de 90, reproduzir magistralmente a realidade dos jovens que se veem vazios, sem razões para fazer nada. Inclusive, “trainspontting” é uma gíria escocesa para algo inútil, sem propósito algum, coisa que se aplica muito bem aos personagens que não têm outro motivo para se drogar a não ser porque não existe nada melhor para fazerem. O filme representa muito bem essa juventude sem perspectivas e que tem a sua frente apenas uma vida medíocre.

Trainspotting – Sem Limites é um clássico moderno que dá voz a toda uma geração e que merece ser assistido por todos ao menos uma vez na vida.



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