American Gods: A Pray for Mad Sweeney


Com mais um capítulo fora da narrativa principal, American Gods, em seu penúltimo episódio, decepciona em pavimentar o caminho para o grande embate entre os deuses. Mesmo assim, surpreendentemente, a série consegue nos entregar um trabalho magnífico.

A Pray for Mad Sweeney conta duas histórias em paralelo. Uma mostra a irlandesa Essie MacGowan em diferentes períodos de sua vida e como os leprechauns ajudaram-na ou prejudicaram-na no decorrer dos anos. A outra segue a jornada do trio – agora uma dupla – formado no episódio anterior.

American Gods é uma série ousada que não se preocupa em agradar o grande público. Uma máxima que se propaga pela internet e que eu concordo plenamente é “essa série não é para qualquer um”. E, por tal posição ser proposital, os produtores não se importam em inovar e quebrar estruturas pré-estabelecidas para poder contar uma boa história. Isso fica bastante evidente nos pequenos curtas que a série introduz, apresentando deuses antigos que quase nunca têm impacto direto na história principal. Além disso, já tínhamos visto um episódio, Git Gone, que contava o passado de uma única personagem sem avançar em nenhum ponto a narrativa central. Dito isso, não é de se admirar termos um episódio como A Pray for Mad Sweeney, que aprofunda o personagem do título e nos dá uma perspectiva maior sobre o nosso leprechaun favorito. Mas inserir um capítulo na reta final da temporada que em nenhum aspecto nos prepara para a grande batalha prometida desde a primeira semana é um tanto frustrante. Se o primeiro ano fosse um pouco maior, com 10 ou 12 episódios, este seria um dos pontos altos da temporada, mas com apenas 8, A Pray for Mad Sweeney se mostra uma péssima decisão dos produtores, mesmo conhecendo o desrespeito deles para com as fórmulas do mercado televisivo. Agora falemos de coisa boa porque, fora sua posição dentro da série, o episódio foi incrível.

A começar pelo casting. As duas histórias são protagonizadas por Emily Browning, no seu papel usual de Laura Moon e agora como a irlandesa do século XVIII, Essie MacGowan. A nossa eterna Violet Boudelaire dá um show de interpretação e consegue fazer uma distinção muito nítida entre as duas personagens que interpreta. Fionulla Flanagan, atriz convidada que interpreta também duas personagens – neste caso a avó de Essie e a própria Essie quando mais velha – consegue, com seus poucos minutos de tela, impressionar pela confiança com que atua.

Outro ponto bastante admirável fica por conta da produção, que fez um excelente trabalho em construir a Europa e os Estados Unidos de três séculos atrás, tanto no cenário como nos figurinos, dando uma ótima verossimilhança em todas as cenas do passado. E, falando nisso, a fluidez entre os dois núcleos de histórias é perfeita. O tempo de tela de cada um dá a impressão que os dois se completam de alguma forma.

Quanto aos acontecimentos do episódio, há quatro pontos a serem observados. Primeiro que descobrimos quem conta as histórias dos velhos deuses no novo continente. Também vemos o trio recém-formado ser desfeito. Uma pena. Apesar de Mad Sweeney (Pablo Shcreiber) e Laura Moon roubarem a cena, a espiritualidade e a tranquilidade de Salim eram ótimos contrapontos aos palavrões e xingamentos dos outros dois. Outra coisa a ser reparada é o que o leprechaun contou sobre seus dias de glória e que ele inevitavelmente irá encontrar a morte em batalha. Por último, temos um plot twist digno de atenção. Essa revelação nos faz questionar e muito o caráter de certos personagens.

O sétimo episódio foi de encher os olhos, mas infelizmente muito mal posicionado dentro da série. Estou ansioso pela finale da temporada.

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