Crítica: Mulher Maravilha (Sem spoiler)

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Da genialidade à mesmice. Patty Jenkins consegue nos entregar o filme da super heroína que nós queríamos e precisávamos, mas com um pé atrás. Não dá para dizer se é devido ao medo do fracasso ou à pressão da Warner, mas o filme muda de tom em momentos chave e nos dá um ar de estar perdido na obra.

Com um primeiro ato bem explicativo, amarrando suas pontas ao universo expandido da DC, seu início não deixa a desejar, tendo nomes de peso como Connie Nielsen (Gladiador) e Robin Wright (House of Cards). Com o universo das Amazonas bem explicado e com uma Themyscira pé no chão, o tom não foge do tom pré-estabelecido dos​ filmes atuais da DC/Warner no cinema.

O que mais chamou a atenção foi o jeito com que foi tratada a guerra, com todo o peso emocional que causa nos soldados, toda a sanguinolência com que é lidada e, com isso, os efeitos de tais cenas sobre a ainda inocente princesa Diana. Outro pronto positivo foi como a personalidade de Diana foi retratada, Gal Gadot, ainda que desaponte em alguns momentos, consegue passar toda a pureza da personagem no seu início de “carreira”, sem fazê-la parecer imbecil ou sem nexo.

Em alguns momentos, o roteiro se mostra preguiçoso, com perigos aparecendo sem explicação, só para a Mulher Maravilha mostrar seus poderes, algo que poderia ter sido elaborado com mais carinho pelos roteiristas.

Precisamos falar sobre a câmera lenta, o recurso mais usado para o filme, assinatura de Zack Snyder e que Patty Jenkins reproduz com exagero. Assistindo ao filme, temos a impressão que se todas as cenas em câmera lenta fossem em velocidade normal, o filme teria metade da duração. Algumas dessas cenas extremamente desnecessárias para a ação, transformando a luta num “action porn”, tendo muito esforço em deixar a batalha bonita, ao invés de fluida.

Em alguns momentos, notamos como faltou protagonismo de Diana para dar espaço a Steve Trevor (Chris Pine), que mesmo o ator tendo grande histórico ao lado da Mulher Maravilha nos quadrinhos, a presença dele foi exagerada em momentos não muito necessários para o desenvolvimento da trama. Não estou dizendo que o personagem é ruim, mas ele foi muito bem desenvolvido quando haviam outros personagens, principalmente personagens femininos que poderiam ter muito mais espaço, dado o tema do filme focar no poder feminino. 

O ato final, bem como seu clímax, foi o momento em que o filme errou, mudou de tom drasticamente para dar o grande e espetacular final Hollywoodiano que o filme não precisava. O filme, que foi contido e focado na guerra, virou um “gameplay” de um jogo de luta que poderia ter sido dirigido pelo Michael Bay, com muitas explosões e poluição visual. Além da mudança de tom, o final se torna brega e inacreditável com a conclusão de Diana sobre a guerra e as pessoas.

Mulher Maravilha é até agora o melhor filme da DC nos cinemas, mas ainda tem seus pontos fracos, não tendo espaço suficiente para a personagem em destaque, mas que ainda assim consegue apresentá-la como uma mulher forte e a maior heroína da terra dos futuros filmes da empresa. Seu final fraco não apaga o bom desenvolvimento dos temas tocados no filme. 

E a grande pergunta que todos devem estar se fazendo, o filme fala sobre feminismo, mas não levanta bandeiras, faz algumas piadas sobre o assunto, mas sem forçar militância no espectador.

O filme é uma boa pedida para quem é fã da heroína e também para o público casual, que não acompanha muito nossos heróis favoritos.



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