Preacher: Damsels


Com um episódio que constrói – e avança – várias linhas narrativas, a segunda temporada de Preacher nos leva essa semana para um lugar muito bem conhecido pelos fãs das HQs, Nova Orleans.

Damsels nos mostra Jesse procurando por Deus nos bares da capital mundial do jazz, descobrindo uma organização secreta que parece também estar procurando pelo Todo-Poderoso.

O episódio começa de forma espetacular, nos mostrando o que parece ser um flashback de Eugene quando, no entanto, é a pior lembrança dele sendo vivida infinitas vezes, como nos foi mostrado na primeira temporada com o Santo dos Assassinos, no Inferno. Essa lembrança merece destaque por vários fatores. Primeiro que finalmente temos um vislumbre do rosto de Ian Coletti e de seu real potencial de atuação. O menino manda bem na arte de interpretar. Nessa sequência temos também muitas piadas de humor negro que fazem nos sentirmos mal por rir delas, como a brilhante ideia de Eugene em juntar os pedaços do cérebro da amiga para tentar ressuscitá-la. Tudo isso embalado numa fotografia quente e alegre que enche a cena com muita ironia.

Mas acima disso, temos a revelação do que realmente aconteceu ao Cara-de-Cu. Nesse aspecto, temos uma diferença enorme entre a série e a HQ que não necessariamente é melhor ou pior. Na primeira temporada nos é contado que Eugene, por uma desilusão amorosa, atirou na cabeça de sua amiga e depois tentou se matar. Isso já era diferente dos quadrinhos, pois na obra de Garth Ennis, na metade da década de 90, Eugene era um fã de grunge e desiste da vida seguindo o exemplo de seu ídolo, Kurt Cobain. Até aqui, essas mudanças eram compreensíveis, são épocas diferentes e o motivo da HQ não seria mais tão plausível nos dias de hoje. Mas o que nos é mostrado nessa nova revelação é a de que Eugene é um garoto de bom coração, adorável e, se pararmos para analisar, a única boa pessoa de verdade entre os personagens da série. Esperemos para ver que caminhos o Cara-de Cu tomará na TV. Minha aposta é que ele se assemelhará com sua contraparte na obra original, com todas as falhas de caráter que ele tem direito, depois de sair do Inferno e buscar vingança contra o pastor.

Depois disso temos a busca por Deus nos bares de jazz da capital de Louisiana e a separação entre dois arcos, o da própria procura pelo Criador e o passado de Tulipa vindo à tona, em sequências no enredo que dão cada vez mais destaque a Cassidy.

A jornada do pastor pelos bares de Nova Orleans é de uma cinematografia incrível, sendo o seu ápice quando ele encontra a cantora Lara Featherstone (Julie Ann Emery) e a fotografia assume uma sépia num número musical de encher os olhos e os ouvidos. No desenrolar desse arco temos a introdução da organização dos “capuzes brancos” (alguém aí falou Graal?) e do que acredito ser o principal antagonista dessa temporada (e, se Deus quiser, de pelos menos outras duas), Herr Starr.

Do lado de Tulipa temos ela e Cassidy indo para a casa de um velho amigo do nosso vampiro irlandês favorito. Amigo esse que, num primeiro momento, parece ser importante, afinal, Nova Orleans não é conhecida como a cidade dos vampiros à toa, mas logo temos a constatação de que Dennis é apenas um coadjuvante que só serve para mostrar que Cassidy acha que tem vários amigos, mas que não os têm de fato. Muito em parte pelas enrascadas em que ele entra – e consequentemente seus amigos – por causa do vício. O episódio termina com um gancho do arco de Tulipa que está sendo desenvolvido e que muito provavelmente será um dos temas principais dessa temporada.

Preacher nos entrega mais um episódio genial, com um roteiro muito inteligente e uma ótima direção. Cada vez mais percebemos que a segunda temporada melhorou em relação à primeira em quase todos os seus aspectos.

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