Preacher: Viktor


Continuando as linhas narrativas da semana anterior, Preacher dá uma pausa em todo o sangue e violência generalizada, focando em avançar o enredo. Apesar de essa ser uma estrutura mais normal se olharmos de longe, a série não se deixa levar por fórmulas, investindo todos os elementos subversivos aos quais estamos acostumados.

O episódio, intitulado Viktor, mostra Tulipa (Ruth Negga) sendo capturada pelos capangas que a perseguem desde Mumbai Sky Tower. Acompanhamos também a jornada de Eugene (Ian Colletti) no Inferno, além de a busca por Deus continuar com Jesse (Dominic Cooper) e Cassidy (Joseph Gilgun).

O arco de Tulipa é o que inicia o episódio, ela é levada à mansão dos mafiosos chefiados por Viktor (Paul Bem-Victor) e vemos que ela teve uma forte ligação com a organização. O’Hare chama todos pelo primeiro nome, o que nos Estados Unidos é sinal de intimidade. Entretanto os bandidos a rejeitam, mas sem nos dar nenhuma dica do que ela fez para tal. E o arco continua assim até ela finalmente sentar para conversar com Viktor e a revelação do final nos deixar de boca aberta.

A direção de arte deu um show nesse episódio. A mansão na qual Tulipa está presa passa perfeitamente a sensação de opulência. Outro destaque desse arco é a cena em que Pet (Sean Boyd) está torturando alguém. A cena serve para introduzir uma arma de Tchekov e brinca com o fato de o torturador ouvir uma música super alegre durante o trabalho.

Entretanto, apesar de ser parte essencial do arco, a forma como Tulipa se relaciona com os moradores da mansão é repetitiva e o único motivo para essas cenas não serem chatas é a beleza do cenário.

Depois da abertura descemos ao Inferno e começamos exatamente onde o arco parou no episódio anterior, Eugene saindo de sua cela e conhecendo ninguém menos que Hitler. Os dois constroem uma relação durante o episódio, com o ditador se mostrando não ser uma pessoa tão ruim.

Mais uma vez a direção de arte eleva o nível das cenas. O Inferno, segundo Preacher, é uma espécie de prisão onde cada condenado fica em sua cela revivendo sua pior lembrança. Dado esse conceito, a produção constrói um ambiente minimalista que só serve para isso mesmo. É tudo cinza, cheio de corredores e o que parecem ser reformas para acomodar mais presos.

Aqui nós temos uma mudança no comportamento de Eugene. Instruído para que deixe de ser um bom garoto, pois afinal ele está num lugar para onde os bons garotos não vão, o Cara-de-Cu se junta aos outros contra o seu recém-amiguinho, Hitler.

Algo que venho pensando desde a semana passada, e que uma cena muito subjetiva pode ter confirmado isso, é que o Inferno pode estar com defeitos porque Eugene não foi para lá de forma natural. A cena em questão foi o técnico do projetor que dá uma risadinha para Eugene logo depois de dizer que existem milhares de motivos para o defeito. Será que é através desses defeitos que o Cara-de Cu escapará?

Por fim, temos o terceiro arco do episódio, que consiste na busca por Deus por Jesse e Cassidy, mas dessa vez eles seguem uma pista mais quente do que sair pelos bares de Jazz de Nova Orleans. Eles veem na TV o ator que interpretou Deus no final da temporada anterior.

Indo até a agência de atores, a qual o intérprete do Todo-Poderoso trabalha, O pastor e o vampiro conseguem recuperar a fita de testes descobrindo de onde veio toda a armação no desfecho da primeira temporada. O arco culmina com Jesse indo salvar Tulipa na mansão de Viktor e na revelação que eu falei lá em cima.

A direção de Michael Slovis durante o episódio é bastante comum, até chegar ao clímax, quando Jesse luta contra Pet e temos um plano-sequência. 

Um plano-sequência é um recurso utilizado por muitos diretores, principalmente para manter o público tenso. Tecnicamente falando, é uma única tomada onde há uma sucessão de acontecimentos, quando normalmente caberiam cortes para separar cada ação.

A produção de um plano-sequência é muito difícil de ser gravada, a movimentação dos atores e da câmera deve funcionar como uma dança muito bem ensaiada. Um bom exemplo disso é a famosíssima cena do corredor no segundo episódio da primeira temporada de Demolidor. No cinema, nós temos Festim Diabólico do mestre do suspense Hitchcock e mais recentemente o (superestimado) filme Birdman do diretor (também superestimado) Alejandro G. Iñárritu.

Infelizmente o plano-sequência apresentado no último episódio de Preacher não é tão bom. A tensão continua altíssima, principalmente porque Slovis grava essa cena com uma câmera nervosa, mas justamente por isso às vezes há enquadramentos muito ruins. O que deveria ser de uma beleza cinematográfica se torna confuso e dá a impressão de mau planejamento.

Apesar disso, o episódio continua bom. A má escolha do diretor não tira o mérito do excelente roteiro que foi ao ar nessa semana, principalmente por ter sido tão inteligente (não consegui segurar o riso quando Cassidy responde “Game of Thrones”) e avançar tanto a história. Espero ansioso pelo quinto capítulo depois desse gancho no enredo.

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