Crítica | Death Note


Mais uma chance de fazer uma versão live action de um anime para o grande público foi desperdiçada e, dessa vez, foi com uma das obras com mais potencial para isso. Eu quis acreditar, quando foi divulgado, que seria uma boa adaptação, só que infelizmente não passou de uma tentativa que lembrou de longe, mas bem de longe mesmo o anime.

O Anime

No anime acompanhamos a história de Yagami Raito, um estudante modelo considerado um gênio, que um dia encontra um caderno que tem o poder de matar as pessoas que tem seus nomes escritos nele, basta você saber o verdadeiro nome da pessoa e saber como é seu rosto. Raito que estava cansado de como a justiça funcionava no mundo decide usar o caderno para fazer sua própria justiça matando criminosos para criar o que ele considerava o mundo perfeito. As ações de Raito dividem opiniões, alguns acreditam que ele é uma espécie de Deus e começam a chamá-lo de Kira, enquanto outros o veem como uma ameaça e querem prendê-lo.

Para descobrir a real identidade do Kira, entra em cena o melhor detetive do mundo conhecido apenas como L que, assim como Kira, tem sua verdadeira identidade mantida em segredo.

E é nesse ponto que começa uma das maiores batalhas mentais da ficção. Enquanto L quer prender Kira, Kira quer matar L. E as cenas onde esses dois colocam seus potencias de dedução à prova é uma das coisas mais fantásticas que já vi, fazendo com que você fique sem respirar.

Porque Death Note tinha tanta chance de ser bom?

Com uma premissa tão forte quanto essa e por ser um estilo que é mais comum para quem não é fã de anime, Death Note tinha muito potencial, principalmente por não ter o humor característico japonês que desagrada muita gente. Sem contar que o que mais empolgou as pessoas é que o filme seria uma obra Netflix. A empresa não tem medo de fazer histórias mais densas e adultas, para confirmar isso podemos basta só olhar seus títulos originais. Porém, o que tinha tudo para dar certo, acabou dando errado.

Porque não deu certo

Todos entendemos que uma adaptação não é uma cópia do original. Então tudo bem acontecerem mudanças, porém quando não se respeita a essência dos personagens e você vê que tudo aquilo que é base do personagem é ignorado, acaba sendo uma decepção ao invés de uma adaptação. Para começar, o Raito Yagami no original, Light Turner no filme, tem como principais características ser frio e calculista. Ele está disposto a qualquer coisa, inclusive matar pessoas que ameacem seus planos independentemente do quão próximas elas sejam. No filme, eles decidiram que o Light precisava de uma motivação para matar, então fizeram com que ele tivesse perdido a mãe quando mais jovem. Mas o que faz dele um personagem tão fantástico é que ele simplesmente estava cansado de tudo.

No filme, L, que era pra ser o maior detetive do mundo não passa de um personagem chiliquento perdendo a calma em vários momentos, sendo que o que o fez conquistar o posto de personagem mais querido do anime foi sua personalidade calma e capaz de analisar a situação em várias camadas diferentes, além de toda sua excentricidade.

Outra coisa que me deixou puto: colocaram Ryuk como o mal encarnado. No filme, a culpa das atitudes do Light vem da influência do Ryuk, enquanto no original ele só quer ver o circo pegar fogo. Ele deixou o seu death note cair na Terra por estar entediado e ver as atitudes que o Light toma normalmente o impressiona e o diverte. 

A personalidade desses três personagens é a alma da história e vê-las serem mudadas tão drasticamente faz com que a decepção seja ainda maior, principalmente pelo fato de que a personalidade original dos personagens se encaixaria perfeitamente no formato de um filme. Ou seja, não é algo que precisaria ser mudado para contar a história em outra mídia. Claro que precisaria de pelo menos uma trilogia para desenvolvê-los bem, mas essa já parecia ser a ideia da Netflix, então realmente não dá para entender o que foi feito ali.

A trilha sonora também deixou a desejar. Aquela que outrora foi um componente para realçar a grandiosidade da obra ficou descaracterizada indo na onda dos filmes atuais escolhendo músicas pop clássicas. As músicas não são ruins, mas estão longe de combinarem com o que é o Death Note.

O par romântico foi algo triste de se ver. Não consigo dizer que a Mia é a adaptação da Amane Misa, já que as duas não tem nada de parecido. Para quem conhece a história, o relacionamento entre os dois chega a ser abusivo por parte do Light e isso ajuda a construir o personagem e o que você vai sentir em relação a ele. Porém, no filme Mia pareceu estar no controle o tempo todo.

Sei que vai ter muita gente falando “também, isso que dá fazer adaptação de anime com elenco americano” ou “foi porque colocaram o L negro”. Pode, isso não tem nada a ver. O filme é simplesmente uma bomba. Se fosse para ter um roteiro bom, eu não me importaria se o elenco fosse todo composto de Incas Venusianos e Marcianos. Infelizmente, não foi dessa vez que tivemos uma boa adaptação de um anime para o cinema ocidental. Bom, deixem nos comentários suas opiniões sobre o filme.

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