Crítica: Dunkirk


Uma narrativa de poucas palavras é o que Christopher Nolan apresenta ao público em seu mais recente trabalho, Dunkirk.

Cercados e presos na praia de Dunkirk, França, soldados britânicos e franceses aguardam a evacuação enquanto os alemães constantemente bombardeiam a praia e afundam os navios que tentam partir. No meio dessa confusão, dois jovens soldados procuram de toda maneira um jeito de fugir deste inferno. Do outro lado do canal da mancha, o exército britânico convoca as embarcações civis para ajudar na evacuação dos soldados presos em Dunkirk e o Mr. Dawson parte ao resgate junto de seu filho e do garoto George. E, como se dois núcleos narrativos não fossem o suficiente, nos céus, três caças britânicos combatem bombardeiros alemães para proteger os navios em retirada.

A trilha sonora cria um constante sentimento de tensão e, fora a explicação simplória no início do filme ( “vocês estão cercados, se rendam”), todas as conexões e progressos na narrativa são feitos de forma visual: um avião que passa, outro que cai, aquele navio de antes e assim por diante. Este é o ponto forte do filme, mas, assim como outras obras de Nolan, é preciso ter atenção para notar. No final, ainda recebemos uma explicação disfarçada. Porém, o ápice é quando as três vertentes da história se conectam em um ponto de forma quase explícita.

O foco do filme não é a guerra em si, é o desespero dos soldados, tão perto de suas casas, mas sem ter como chegar lá. O cenário político não importa, essa é uma história sobre a sobrevivência e como ela é injusta.

Quanto à trama dos personagens em si, não é algo de grande destaque. O desfecho da história de George parece deslocado e acaba por ser algo que realmente não precisava estar ali. Já os soldados resgatados eram personagens cuja individualidade não é explorada, pois a mensagem é a sobrevivência dos soldados como um todo, não a jornada de um protagonista. Protagonista este que pode até ser dito como inexistente nesta obra, já que todos tinham seu papel a cumprir.

Dunkirk é um excelente espetáculo visual, as cenas dos aviões sobrevoando o mar ou as praias lotadas se esvaziando ao som de aviões e se enchendo novamente depois são todas cenas incríveis. Quanto à trama, cada parte de sua história por si só não é o interessante, mas sim a forma como as três se juntam e a lenta construção dessa convergência é o que torna Dunkirk um filme tão bom. O público anseia por esse momento e vale a pena. 

Apenas vale a ressalva de que Dunkirk não é o típico filme de guerra. Se você está esperando grandes cenas de ação ou atos heroicos, repense antes de comprar seu ingresso.

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