Crítica | Freakonomics


A temática de hoje é um pouquinho mais “nerd” no sentido de cdf/acadêmico. Vamos falar sobre Freakonomics – O Filme, que é uma produção de 2011, não muito popular, que trata de assuntos relacionados à economia comportamental (uma área da economia que estuda o comportamento e as tomadas de decisões dos indivíduos). O documentário é baseado em um livro homônimo do economista Steven D. Levitt em parceria com o jornalista Stephen J. Dubner. Eles têm também uma série de podcasts bem bacanas sobre diversos temas cotidianos (freakonomics radio). 

Mas vamos ao que realmente interessa. Um assunto bastante rotineiro tratado no documentário é a questão de como os pais tentam achar uma melhor maneira de cuidar dos filhos, fazendo com que frequentem balé, aulas de música, museus e até mesmo tocando Mozart para estimular seus cérebros. Porém, quando se olha para os dados, observando pais que criam os filhos dessa forma, parece que essas coisas não importam de verdade. O que acontece é que esses não são elementos causais, é apenas uma correlação, ou seja, criar bem um filho está relacionado a todas essas atividades, mas não necessariamente é causado por elas.

Por exemplo, se você é um pai (ou mãe) que, quando decide ter um filho, vai à livraria e compra alguns livros que possam te ajudar nessa tarefa, você já é provavelmente um bom pai/mãe, simplesmente por se preocupar com isso. Se você vai ler mesmo esses livros, pouco importa. O que importa é que você é o tipo de pessoa que se preocupa a ponto de ir até uma livraria e comprar alguns livros sobre o assunto.

Outra questão nesta mesma linha de causa ou apenas correlação que eles investigam é a diferença entre nomes de pessoas negras e brancas nos Estados Unidos. A pergunta é: o nome determina o sucesso (ou fracasso) na vida de uma pessoa? A resposta para essa pergunta eu vou deixar para vocês descobrirem no documentário. Na verdade, isso foi algo novo para mim. Por mais que eu assista a várias séries e filmes americanos, eu nunca reparei que, no geral, existem diferenças entre nomes de brancos e negros. Acho que isso acabou passando despercebido por não ser algo comum no Brasil.

Outro tema interessantíssimo é a questão das trapaças no mundo do Sumô, uma arte marcial japonesa muito respeitada devido, principalmente, à sua tradicionalidade. Existe um consenso de que o Sumô é algo quase sagrado, onde os princípios e regras são cumpridos à risca e geralmente as pessoas veem o esporte como algo praticamente imune a trapaças. Contudo, a realidade não é bem essa. O documentário narra diversos acontecimentos bem “estranhos”, desde trapaças menores até casos de assassinatos. Infelizmente, a verdade é que nada está imune a trapaças. Tudo depende de incentivos e no mundo do Sumô existem incentivos de sobra para esse tipo de coisa.

Por fim, algo mais polêmico que é tratado no documentário é o grande efeito da legalização do aborto na redução da criminalidade nos Estados Unidos ao final da década de 1990. Além disso, são temas do documentário outros tipos de incentivos como dar dinheiro para que um estudante consiga boas notas na escola. A ideia parece bem interessante e eles a testaram na prática. Será que funciona mesmo?

Um último ponto que vale ressaltar é que, pelos comentários que eu andei lendo, para quem leu o livro, o documentário acabou sendo um pouco fraco. Eu ainda não os li, então não tive essa base para comparação e acabei achando tudo muito interessante, mesmo sabendo que eles teriam muitas outras coisas legais para tratarem, que provavelmente foram tratadas no livro.

Por fim, uma pequena atualização: enquanto este texto estava sendo escrito, saiu a notícia de que o Nobel de economia desse ano foi para o economista Richard H. Thaler, que levou o prêmio pelas suas contribuições exatamente nesse campo da economia comportamental.


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