The Shannara Chronicles | Primeira Temporada


The Shannara Chronicles é mais uma aposta da MTV no que diz respeito à fantasia. Com Teen Wolf chegando ao final e com o sucesso de Game of Thrones (que hoje em dia tem status de evento), parecia ser uma boa ideia trazer essa série à vida e os produtores Alfred Gough e Miles Millar (os mesmos de Smallville) souberam aproveitar bem a tendência do momento.

O seriado se passa num futuro distante onde os humanos deram origem a elfos, anões, trolls e todas essas raças tomaram conta do planeta destruindo a sociedade como a conhecemos hoje. É contada a história de Wil (Austin Butler), um meio-elfo que é o último descendente de sangue Shannara que junto da princesa elfa, Amberle Elessedil (Poppy Drayton), e da humana nômade, Eretria (Ivana Baquero), saem numa jornada para salvar a árvore mágica, Ellcrys, que está morrendo e libertará todos os demônios quando a última folha de sua copa cair.

A série começa com dois problemas terríveis. Nós somos jogados nesse mundo fantástico e deixados ao léu. É uma enxurrada de elementos fantásticos que nos é empurrada garganta abaixo sem nenhum tipo de introdução. É uma sucessão de termos que deveriam funcionar como construção de mundo, mas que só contribuem para nos tirar da imersão.

O outro problema é a lentidão com que se sucedem os acontecimentos. Acontecimentos que claramente só estão ali para cada episódio ter seus quarenta minutos e a primeira temporada ter dez episódios. Veja bem, não há mal nenhum em você desviar o seu caminho, encontrar novos personagens que morrerão em seguida, se isso contribuir para o desenvolvimento dos protagonistas. Coisa que não acontece. O primeiro problema nos deixa logo no terceiro episódio. Infelizmente o segundo nos acompanha até o final da temporada.

Continuando, é uma pena ver uma série com tanto potencial, principalmente de ser mais um bastião da Fantasia na cultura pop atual, como Game of Thrones e Stranger Things, desperdiçar isso com erros tão banais de construção de personagens. É muito chato ver a inteligência dos protagonistas oscilar tanto. Em um episódio parecem crianças de 14 anos e no outro são os guerreiros escolhidos que deveriam ser. Essa inconstância sempre serve ao roteiro que por vezes transforma a jornada dos heróis em uma série procedural e até um tanto infantil que, mais uma vez, faz os protagonistas passarem incólumes pelos infortúnios do caminho.

Mas, calma, que nem tudo está perdido em The Shannara Chronicles. Como disse, a série começa bem ruinzinha, a gente não sabe o que está acontecendo e isso não é trabalhado de uma forma boa, mas no decorrer dos episódios a qualidade vai aumentando. No terceiro episódio, já temos uma diferença enorme e vai sendo assim até chegar aos três últimos episódios.

O oitavo, Utopia, mostra uma tribo de humanos nostálgicos que gostam de viver como nos anos 70 e consomem tudo o que podem da nossa cultura dessa época. Nesse episódio, o Capitão América não pararia de apontar para a tela, pois há uma tempestade de referências, de jogos de RPG a Star Trek. 

No nono, temos os heróis finalmente chegando ao fim de sua jornada e completando a missão em ótimas cenas de ação, além de um excelente plot twist que coloca em xeque um dos principais pilares da série.

Finalmente, no décimo, a guerra. O final da série foca um pouco mais nas tramas políticas e isso eleva muito o nível da season finale e também as expectativas para a segunda temporada. Muitos ganchos foram deixados no finalzinho.

Antes das considerações finais, devo confessar que pensei muitas vezes no dinheiro gasto para fazer The Shannara Chronicles. Os efeitos especiais são perfeitos, dignos dos blockbusters cinematográficos que temos hoje em dia. É de se encher os olhos com tamanha perfeição em cada rajada de magia que mata um ou outro demônio.

Apesar de ser um pouco difícil, assista aos primeiros episódios com a certeza de que no final a série vai lhe recompensar. A propósito, começarei a acompanhar a série, episódio por episódio, aqui no De Volta para a Taverna. Então volte para conversarmos mais sobre a série que (por que não?), se continuar na mesma pegada de seus últimos episódios, tem potencial para tomar o posto de Série de Fantasia Mais Assistida da Atualidade.

Até mais, taverneiros, nos vemos em Arbolon.


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