Rick and Morty | Primeira Temporada


Nunca fui de acompanhar todas as séries em tempo real, nem de me importar muito com o que dizem de bom e de ruim dos seriados pela internet a fora. Entretanto, uma obra que sempre tive vontade de assistir foi Rick and Morty. Aparentemente o desenho tinha tudo o que eu mais gostava: humor, críticas sociais e referências filosóficas envoltas num pano de fundo de ficção científica (sim, uma das minhas séries favoritas é Futurama), mas por motivos de tempo eu nunca pude realizar meu desejo.

Nestas duas últimas semanas eu resolvi que, para não ficar maluco de tanto estudar, eu ia ocupar os 20 minutos em que eu almoço ou janto com outra coisa que não fossem vídeo-aulas de professores chatos e sisudos. Decidi então que eu começaria a assistir Rick and Morty, um episódio a cada refeição. Não foi surpresa nenhuma para mim eu ter gostado do desenho logo de cara, mas acontece que agora, por causa dele, eu tenho me alimentado com muito mais frequência e além de uma crítica, esse texto é uma explicação de como Rick and Morty me deixou mais gordo.

Minhas expectativas estavam altas para o primeiro episódio. De tudo o que meus amigos falavam eu imaginava que o desenho era genial. Concordo quando afirmam que o trem do hype é nocivo a qualquer obra. E eu tinha medo de gostar menos de Rick and Morty por causa disso. Felizmente a série conseguiu superar ainda mais as minhas expectativas. Mas vamos parar de falar da minha empolgação e ver o porquê de a primeira temporada ser tão boa.

O desenho conta a história de um cientista que arrasta seu neto para aventuras estranhas interdimensionais pelo multiverso, conhecendo lugares e formas de vida muito diferentes do que qualquer um está acostumado a ver.

A série, em cada episódio, aborda um tema filosófico ou um conceito de ficção científica clássico e o subverte, quebrando as nossas expectativas e assim fazendo o humor. Outro recurso que Rick and Morty usa nesse mesmo sentido é usar nossa bagagem cultural para nos introduzir na trama ou até mesmo fazer piadas. E a série não usa isso apenas como um mero easter-egg. Eles desconstroem cada aspecto que nós conhecemos, da cultura pop (como o famoso Parque dos Dinossauros), passando por conceitos científicos (como a Interpretação dos Muitos Mundos) chegando a questões socialmente imprescindíveis (como a ideia de família).

O desenho consegue mesclar muito bem coisas que geralmente são antagônicas, como alienígenas horrendos que não são vilões. Cada episódio conta a aventura da semana, mas ainda assim há consequências e uma liberdade criativa por parte dos roteiristas que nos leva a lugares inesperados, mas que são familiares e confortáveis, de alguma forma.

Boa parte do humor inteligentíssimo da série vem também das críticas sociais e discussões filosóficas implícitas que os episódios apresentam constantemente. Como em O Pequeno Gazorpanzop, onde críticas ao machismo na nossa sociedade são praticamente o tema do episódio. As atitudes desleixadas de Rick para com os outros, principal fonte das ideias existencialistas e niilistas da série, também rendem boas gargalhadas, apesar de ser muito mais fácil você ficar triste e pensativo.

Rick and Morty é um desenho adulto. Não espere um conteúdo raso ou convencional, nem personagens rasos e convencionais. A série aprofunda cada um dos seus elementos e não se importa em romper qualquer conceito. Uma obra-prima que merece toda a atenção que está tendo. E já que ninguém existe com um propósito, ninguém pertence a nenhum lugar e todo mundo vai morrer, venham assistir Rick and Morty!


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