Crítica | Star Wars - Os Últimos Jedi


Antes de começar, devo lhes dizer que este é um texto sem spoilers. Avaliarei aqui apenas os pontos positivos e negativos quanto à cinematografia de Os últimos Jedi. Não colocarei aqui minhas emoções de fã da franquia porque eu não conseguiria fazer isso sem dar spoilers. Isto posto, vamos lá para uma galáxia muito, muito distante?

O filme começa com um primeiro ato frenético. Uma batalha espacial entre a Resistência e a Primeira Ordem acontece na órbita de um planeta. Nessas cenas iniciais vemos Poe Dameron (Oscar Isaac) ganhar um protagonismo maior do que em todo o Despertar da Força. Aqui vemos a competência de Rian Johnson na direção. A batalha se desenvolve bastante fluida e de uma forma que conseguimos saber onde cada coisa está acontecendo.

Vemos também as primeiras cenas de Rey (Daisy Ridley) em Anch-To, que faz nossos coraçõezinhos, que ficaram apertados por 2 anos para saber como está Luke depois de tanto tempo, finalmente serem libertados dessa tensão quando vemos o mestre austero e sem esperanças que Skywalker se tornou.

Depois dessas alegrias, o filme segue em um desenvolvimento de personagens e situações que fazem o ritmo do longa cair bastante. Nessa parte há uma aproximação entre Os Últimos Jedi e O Império Contra-Ataca quanto a sua estrutura. No filme de 1980 acompanhamos Luke (Mark Hammil) com Yoda (Frank Oz); Leia (Carrie Fisher) e Han (Harrison Ford) escapando do Império; e o Darth Vader comandando suas tropas no encalço dos mocinhos. No mais recente capítulo da saga temos Rey treinando com Luke; Finn (John Boyega), Rose (Kelly Marie Tran) e Poe tentando tirar a Resistência das mãos da Primeira Ordem; e Kylo Ren (Adam Driver) em sua jornada de autoafirmação.

Mas, ao contrário das sequências tão bem balanceadas na obra de Irvin Kershner, em Os Últimos Jedi, a história parece não andar em nenhum dos três núcleos. Rey e Luke demoram demais a fazer qualquer coisa relevante na ilha. Finn, Rose e Poe bolam – e executam – planos que não levam a lugar nenhum. No final, todas essas estratégias servem a uma solução de roteiro que poderia ser muito melhor trabalhada, além de que se enxugadas poupariam bastante tempo sem fazer muita diferença. Bom, e por último, a pior coisa do filme: Kylo Ren e a Primeira Ordem como um todo.

O lado negro da Força desse novo filme deixa muito a desejar. Snoke (Andy Serkis) continua sendo O-Cara-Malvadão-Genérico-que-Quer-Dominar-Tudo e o personagem de Kylo Ren tem uma evolução muito aquém do que o vilão da saga deveria ter, terminando o filme quase do mesmo jeito que começou. A Primeira Ordem serve mais como um alívio cômico do que qualquer outra coisa. São raríssimas as vezes em que realmente há uma sensação de ameaça por parte deles.

Mas aí, quando o filme está no limiar para descambar de vez, surge o terceiro ato resolvendo todos os problemas de desenvolvimento de trama. Então voltamos à ação e ao que Star Wars tem de melhor: luta de navinhas e sabres de luz cortando os braços de quem ficar na frente.

No terço final de Os últimos Jedi é que o filme ganha uma revitalizada e temos um dos melhores desfechos da franquia. De fazer ninjas cortarem cebolas perto dos olhos de qualquer um.

Com uma trilha sonora mais uma vez marcante, cenas belíssimas que poderiam ser enquadradas e penduradas na parede e elementos nunca antes inseridos em um Star Wars, como o humor intencional, por exemplo, Os Últimos Jedi consegue, enfim, fazer o que a Disney mais queria com a maior criação de George Lucas: trabalhar em cima dos elementos clássicos para construir algo novo e palatável para as novas gerações. Mas só você, caro leitor, pode decidir se tais mudanças são benéficas ou não.

 E aí? Curtiu? Então ajude o nosso site! Seja nosso padrinho/madrinha
Afinal, nem todo herói precisa de superpoderes, basta ter um coração generoso...



Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.