Viva - A Vida É uma Festa


Viva – A Vida É uma Festa é o mais novo filme da Pixar e o último com uma ideia original até, pelo menos, 2020. Nos próximos 3 anos teremos, advindo do estúdio de animação, apenas continuações, como Os Incríveis 2 (o filme que todo mundo precisava) e Toy Story 4 (o filme que ninguém queria).

O filme conta a história de Miguel, um garotinho que adora música, mas que nasceu numa família onde se odeia essa forma de arte porque décadas atrás um músico abandonou sua esposa e filhinha para se entregar aos palcos. Indo na contramão de seus familiares, Miguel se inscreve no concurso de talentos da cidade, mas acaba indo parar no mundo dos mortos, onde ele vai provar ser um músico mostrando suas habilidades para o seu ídolo que morreu há muito tempo, Ernesto DelaCruz.

Bom, indo direto ao ponto, o filme usa a mesma fórmula Pixar de sempre: um protagonista não se sente confortável com a situação em que vive (pode ser no fundo do mar com um pai super protetor, numa casa que faz parte de um canteiro de obras ou numa família que detesta música) e parte numa jornada de autodescobrimento num cenário incomum (como na mente de uma garotinha, na Escócia antiga ou no mundo dos mortos) e, no fim, descobre que tudo o que ele precisava era o amor da família e dos amigos, que ele já tinha no início do filme.

Apesar dessa previsibilidade, sendo possível até saber que na próxima cena acontecerá uma virada de roteiro, Viva não decepciona. Mais que isso, na verdade, o filme é muito bom. Não importa muito as coisas que acontecem numa história se a forma de elas acontecerem for bem trabalhada, e a Pixar sabe muito bem como fazer isso.

O filme suaviza muito a cultura do Dia dos Mortos no México, pegando apenas os elementos que mais conseguem gerar empatia e foca mais na aventura e não no sentimento, já que não é o mundo todo que vê a morte com bons olhos e alegria, principalmente nos Estados Unidos. Ainda assim, Viva traz uma mensagem muito bonita sobre a relação de quem ainda está vivo para com quem já morreu.

O filme tem muitas camadas de interpretação, desde as crianças que vão se divertir bastante com todo o colorido do Mundo dos Mortos até aos adultos que acompanhando as crianças (ou não) vão perceber os sutis assuntos relacionados à perda de entes queridos e à lembrança que temos deles que permeia todo o filme. E vou logo lhe avisando: se você é um desses adultos, você vai chorar.

Houve muita comparação entre Viva e o filme O Livro da Vida (2014), pois ambos são filmes de animação e abordam o tema do Día de los Muertos, mas não se engane, os dois filmes nao têm em comum fora essa temática e, apesar deste último ser muito bom, Viva – A Vida É uma Festa é melhor.

Mesmo sendo a mesma coisa que a Pixar vem fazendo há pelo menos 10 anos, Viva não deixa de ser um dos melhores filmes de animação que a empresa pertencente ao Mickey já fez. Assim como foi comigo e as pessoas da minha geração em relação a Toy Story, Monstros S. A. e Procurando Nemo, tenho certeza que as crianças de hoje levarão Viva consigo em seus corações até terem idade para levar os próprios filhos ao cinema.

P. S.: o filme, originalmente, se chamaria Coco, como é no original, homenageando a bisavó de Miguel (que em inglês se chama Socorro e não Inês), mas mudaram com medo dos trocadilhos que, com certeza, os brasileiros fariam.

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