A Taxi Driver


A Taxi Driver é o filme Sul-Coreano que, assim como Bingo: O Rei das manhãs, foi submetido ao comitê da Academia para o 90º Oscar e não ganhou a indicação. Entretanto, ser indicado ou não ao Oscar não é garantia de qualidade (às vezes, nem mesmo ganhar o Oscar é um indicativo de qualidade. Lembre-se que Shakespeare Apaixonado venceu O Resgate do Soldado Ryan em 1999 como melhor filme). E o fato de A Taxi Driver ter sido deixado de lado na corrida pela estatueta, não o desmerece nem um pouco, apenas deixa no ar aquele gosto de injustiça.

Baseado em fatos reais, o filme conta a história de um taxista de Seoul (Song Kang-ho) que acidentalmente pega uma corrida para levar um repórter alemão (Thomas Kretschmann) à cidade de Gwangju, onde estão ocorrendo várias manifestações e assassinatos de civis por parte do exército do governo ditador.

O filme tem uma miríade de gêneros cinematográficos. Começa como uma comédia leve e bem humorada, depois ganha um aspecto de suspense, passando por um drama pesado, depois volta a ser suspense. O terceiro ato inteiro é um filme de guerra, fechando com uma cena de ação no estilo Velozes e Furiosos (isto, claro, antes da franquia fazer carros voarem).

Apesar dessa misturada toda, o diretor, Jang Hoon, que já trabalhou antes em filmes que abordaram a Guerra da Coreia e tem um histórico considerável de filmes de ação, não perde a mão em nenhum momento. O longa salta de um estilo ao outro de forma muito orgânica, nos deixando imersos na trama o tempo todo. Nas cenas em que a população entra em conflito com o exército, é angustiante ver a câmera passeando por toda a fumaça e perto dos corpos caídos no chão.

Além da grande habilidade na direção, o grande destaque de A Taxi Driver é sua história. O filme consegue retratar muito bem a transformação de um homem comum que segue as leis e não entende o porquê de os estudantes protestarem, em alguém que percebe o que está acontecendo de errado com seu país e se junta à causa, apostando a própria vida pelo bem da Democracia. É incrível ver a Jornada do Herói, pela qual o protagonista passa, sendo usada nesse cenário de ditadura e opressão política.

Quanto ao design de produção do filme, não há nada do que reclamar quando se trata da representação de Gwangju. As ruas parecem as de uma cidade fantasma, tudo é muito sujo e conseguimos ver sutis marcas de sangue nas paredes e nas roupas dos personagens.

Um ótimo exemplar da sétima arte que foi esnobado pelo Oscar, A Taxi Driver é um retrato fiel do que o povo coreano passou na década de 80 para conseguir sua liberdade política. Um filme emocionante que com certeza merece sua atenção.


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