Corra!


Corra!, ou no original em inglês: Get Out!, chamou muita atenção em maio de 2017, tanto pelo sucesso de público quanto pela aclamação da crítica, sendo este último o principal motivo dos holofotes para esse filme.

A elite de críticos de Hollywood costuma ser hostil a filmes de terror. Antes do Oscar de 2018, apenas 7 obras do gênero foram indicados à categoria de melhor filme, tendo apenas dois destes levado o maior prêmio da noite para casa (a saber: O Silêncio dos Inocentes, de 1991, e Rebecca, de 1940). Acontece que Corra!, com quase 180 nomeações a prêmios ao redor do mundo, é sem sombra de dúvidas uma das melhores obras cinematográficas da última década e, desta vez, a Academia não pôde ignorar.

O filme nos apresenta a Chris (Daniel Kaluuya), um fotógrafo que vai com sua namorada ao interior para conhecer os pais da moça. Lá o protagonista nota o comportamento estranho das pessoas negras e o racismo das brancas e vivencia experiências desagradáveis na casa dos sogros.

Get Out! é bom em todos os seus aspectos. O roteiro é muito bem amarrado e não recorre a clichês do gênero para fazer a história andar. A direção é extremamente competente, principalmente no que tange aos enquadramentos. Os planos mais abertos vêm logo no início, quando o clima ainda está ameno e você pode sair da sala de cinema com bons sentimentos no coração. No decorrer do filme, quando o desconforto, a angústia e a sensação de que tudo está perdido começam a tomar conta da película e consequentemente de quem está assistindo, os planos vão fechando, aumentando ainda mais a sensação de clausura.

A fotografia ajuda também na construção do terror. As cores neutras ganham um tom sombrio e nos fazem pensar que tem algo a mais de errado, além do comportamento dos personagens. Personagens esses interpretados com maestria por seus respectivos atores. Não é à toa que Daniel Kaluuya (que já atuou em Skins, Sicario, Black Mirror e em Pantera Negra) foi indicado a 19 prêmios de melhor ator por esse filme. Tudo isso embalado numa trilha sonora que bota medo em qualquer um. Entretanto, a melhor coisa do filme são as discussões que ele suscita. 

Lá na década de 70 estreou um filme muito parecido com Corra!: Esposas em Conflito (talvez você conheça melhor o remake de 2004 que chegou aqui com o nome de Mulheres Perfeitas). Nele uma nova-iorquina, também fotógrafa, se muda para uma cidadezinha do interior e percebe que as esposas da cidade são extremamente dedicadas aos seus maridos e agem de forma muito estranha. E já naquele tempo trouxe à tona o papel da mulher na sociedade.

Já o filme de 2017 ganha destaque a nos fazer questionar se as coisas aconteceriam da mesma forma se o protagonista não fosse negro. Não apenas nas situações que acontecem na casa dos pais da namorada dele (interpretada pela talentosíssima Allison Williams), mas no tratamento que os personagens negros recebem da polícia ou no total descaso que as autoridades têm para com os crimes que acontecem antes da história do filme começar.

Apesar de eu ter citado o quanto Corra! é um excelente terror, o filme não deixa de ser divertidíssimo. Não apenas por causa dos alívios cômicos, mas pela forma que o diretor Jordan Peele conduz a trama. O mistério vai se desenrolando calmamente, de forma tensa e angustiante.

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