Lady Bird - É Hora de Voar


Como apenas a quinta mulher na história do Oscar a ser indicada ao prêmio de melhor diretora, Greta Gerwig nos traz uma história com um olhar muito realista e sensível sobre a intensidade da adolescência.

Lady Bird (que no Brasil ganhou o inútil subtítulo “É Hora de Voar”) conta a história de uma adolescente em seu último ano do ensino médio e a relação que ela cultiva com os amigos da escola e com a família.

O enredo nos faz acompanhar a vida medíocre de Christine “Lady Bird” McPherson, e apesar da personagem não fazer nada de grande importância, o arco dramático dela é muito bem definido e recheado por situações típicas de um adolescente no ensino médio. Entretanto, apesar da naturalidade com que os acontecimentos se desenvolvem, o maior trunfo do roteiro é a interação entre a protagonista e sua mãe.

As duas estão sempre brigando e tentando impor suas vontades uma à outra. Têm opiniões muito fortes que quase sempre entram em conflito e é lindo de se ver a dinâmica entre as duas atrizes (Laurie Matcalf como a mãe e Soirse Ronan como a filha). Não é nem de longe algo mecânico e nem parece algo ensaiado. Indicações ao Oscar merecidas para as duas.

E por falar em discussão, outro ponto magnífico do roteiro são os diálogos. Não são linhas de fala com algo poderoso e que tem o poder de deixar seu interlocutor no chão. São linhas de fala que a gente vê no dia a dia. Em inglês há o termo “bookish”, algo como livrês. O inglês que você lê nos livros está certo, as frases ali foram construídas da melhor maneira possível. Só que na vida real a gente não fala assim.

Infelizmente o cinema sofre um pouco disso. Principalmente quando um roteirista de 40 anos está escrevendo as falas de uma adolescente de 15. É muito bom ver esse alívio na indústria, e num filme tão bom.

Se já ficou bem claro que o roteiro do filme traduz com muita fidelidade a vida real, podemos fazer algumas comparações ousadas. Assim como John Hughes retratou o sonho adolescente na década de 80, Danny Boyle nos mostrou a insegurança que os jovens têm do futuro na década de 90 com seu Trainspotting, Greta Gerwig acaba de entrar para o time. Ela apresenta o sentimento tão comum entre os adolescentes de “a minha vida ainda não começou pra valer”, juntando os dois lados já consagrados: a desilusão que os jovens do subúrbio têm e o desejo de ser grande no futuro. Se não tínhamos um clássico adolescente desde 1996, acabamos de ganhar um.

Com uma trilha sonora original que tem muitos elementos de Lo-Fi Hip Hop, Lady Bird é um excelente filme sobre as perspectivas que os jovens têm hoje em dia (ou pelo menos 10 anos atrás). Você vai reviver os melhores - e os piores - momentos da sua adolescência.


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