O Destino de uma Nação


O Destino de uma Nação (por favor, não confundir com O Nascimento de Uma Nação) é sobre o início da carreira política de Winston Churchill como primeiro ministro britânico durante a segunda guerra mundial. É o típico filme feito para o Oscar, o que significa que ele eleva muito um aspecto da obra enquanto o enredo não acompanha esse ritmo, mas calma. O filme não é ruim por causa disso. Eu vou explicar melhor.

A Academia, assim como toda instituição, tem uma imagem pública diante da sociedade, um estereótipo. E o estereótipo que se tem do Oscar é que os votantes só assistem filmes que exaltam grandes histórias de superação (Quem Quer Ser um Milionário?), filmes sobre guerra, principalmente a segunda guerra mundial e a guerra fria (Argo) obras que exaltam a cultura cinematográfica de Los Angeles (O Artista), além, é claro, dos dramas que não duram menos do que três horas (Crash – No Limite, Chicago, Shakespeare Apaixonado).

Apesar de em 2015 a Academia ter se reformulado completamente (principalmente com a adição de membros mais jovens), essa visão de que filme chato é filme que vai ser indicado ao Oscar ainda está bem marcante na mente do público em geral. E os produtores de cinema sabem disso. Há todo um nicho voltado para filmes do gênero, que começa a ser lançado, geralmente, a partir de outubro.

O Destino de uma Nação faz parte desse grupo voltado para a Academia, feita nos moldes que se acredita ser o que mais agrada os votantes do Oscar. E como eu falei ali em cima, o filme se concentra muito em três aspectos (que, sinceramente, estão perfeitos) e usa o roteiro para fazer esses atributos se sobressaírem, em vez de contar uma boa história. A saber, os três são maquiagem e “cabelagem”, a fotografia e, claro, a atuação de Gary Oldman.

A maquiagem no filme está impecável. Gary Oldman teve que engordar sim, mas passar do magérrimo Sirius Black para o Winston Churchill não é uma tarefa que se pode chamar de possível. Nem mesmo para o Tom Cruise. Então recorreu-se à próteses e maquiagens que ajudaram a fazer uma caracterização mais fiel ao personagem histórico, deixando o Gary Oldman irreconhecível. Foi um trabalho incrível. Mesmo nos closes é imperceptível a diferença entre pele e prótese. Até mesmo quando ele anda e as pelancas balançam, de forma muito natural.

Quanto à fotografia, ela faz o que o roteiro deveria fazer. Ela conta uma história. O filme é muito escuro e usa a luz para nos mostrar o que realmente importa na tela, além da magnífica forma como o diretor de fotografia, Bruno Delbonnel (o mesmo de Amélie Poulain), arranjou de mostrar o quão sufocante eram as situações pelas quais Churchill passou, como se estivesse preso, sem saída, confinado em cômodos minúsculos e o enquadramento da cena se fechando sobre ele. Simplesmente genial.

E, por último e o mais importante, a atuação de Gary Oldman na pele do político inglês. Oldman pega todos os maneirismos do personagem. O jeito de andar, de demonstrar alegria e raiva, o tom de voz que muda a depender da situação. Creio que seja difícil ter que emular alguém que todo mundo conheceu (como no caso das pesadas críticas a Ashton Kutcher que viveu o Steve Jobs nas telonas, mas apenas porque era parecido com o fundador da Apple). Não apenas em vídeos, mas muitas pessoas que assistem esse filme hoje, viram o Churchill discursar ao vivo. É muita responsabilidade, e Gary Oldman conseguiu fazer isso perfeitamente.

Ainda sobre o roteiro, vale ressaltar a lentidão com que a trama se desenvolve, tendo os espaços entre um discurso e outro às vezes maçantes, apesar de aprofundarem mais o personagem principal. Além disso, a personagem de Lily James, a secretária que escreve os discursos de Churchill, não tem uma função imprescindível dentro da história. Ela não incomoda estando lá, mas se não estivesse não faria falta.

Sem um arco dramático bem definido e com uma estrutura disforme, O Destino de uma Nação agrada pela sagacidade da fotografia e por mostrar um pouco dos bastidores políticos da segunda guerra mundial, mas acima disso, dá uma aula de atuação com o Sr. Gary Oldman no segundo melhor trabalho de sua carreira (o primeiro sempre vai ser o Comissário Gordon).

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