Trama Fantasma


Paul Thomas Anderson (muito confundido com Wes Anderson) é um diretor, digamos, difícil. É um dos maiores cineastas da nossa atualidade, sem dúvida, mas que não é o diretor mais popular do grande público. Ele tem uma sensibilidade muito grande quanto ao fazer cinema e é um grande conhecedor da área. Tanto que ele se utiliza de conceitos já consagrados da sétima arte para subvertê-los ou usá-los de forma escrachada, como piada.

Outro diretor que faz a mesma coisa é Quentin Tarantino. A diferença é que o Tarantino usa muitíssimo mais ação em seus filmes, isso chama atenção do consumidor casual de cinema e por isso é mais comercial. Dito isso, afirmo que Trama Fantasma não é um filme para qualquer um. É indigesto. Difícil de assistir até o final para quem não está acostumado ao estilo do Anderson (o Paul Thomas, não o Wes), mas nem por isso o filme deixa de ser bom. Então, vamos lá?

A Trama Fantasma conta a história de Reynolds Woodcock, um costureiro que trabalha com sua irmã na Inglaterra de 1950, vestindo a mais alta elite britânica. Reynolds usa modelos como inspiração para fazer seus vestidos e quando ele vê a simples Alma, uma garçonete de um restaurante, a transforma em sua musa inspiradora e, posteriormente, engatam um relacionamento amoroso.

Como não poderia deixar de ser, vindo de P. T. Anderson, o filme é impecável em seu design de produção. Cada detalhe em tela tem um porquê de estar ali. E eles ajudam a contar a história. Ou pelo menos a dar mais significados para o que está acontecendo. Aliado a isso está o trabalho de enquadramento que parece ter personalidade própria a depender de quem está sendo mostrado naquele momento.

Daniel Day-Lewis está espetacular no papel. Em mais uma parceria com Anderson, o ator consegue passar para o espectador a elegância anormal de seu personagem. A gente consegue comprar essa ideia e por total mérito da atuação.

Desta vez, o diretor optou por fazer ele mesmo a fotografia. E que belo trabalho ele conseguiu. A fotografia do filme é nebulosa, com um aspecto leitoso que dá todo um ar de fantasia à história.

Mas entre tanta genialidade há algo ruim. O filme é muito longo. Demora a deslanchar de verdade, as cenas são mais prolongadas do que deveriam e há momentos que poderiam ser retirados do filme sem nenhuma perda.

Quanto ao enredo, o longa parece, inicialmente, uma história de amor, com os altos e baixos que todo namoro tem. Só que não. Phantom Thread é construído em cima de seus detalhes e é cheio de camadas que estão lá apenas para quem consegue captar um certo olhar de um personagem aqui, um corte de câmera ali. Eu sei que o filme não é tão fácil de assistir, mas se puder, veja duas, três, quatro vezes. Tenho certeza que mais coisas surgirão.

Mesmo não sendo um filme que todo mundo vai gostar (sinceramente, eu prefiro todo o sangue que há em Kill Bill), é indubitavelmente uma ótima obra. Cinéfilos de plantão entrarão em deleite com esse trabalho magnífico de Anderson (o diretor de Vício Inerente, não o de O Grande Hotel Budapeste).


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